quinta-feira, março 23, 2006

Para começar o dia de bom humor

Olá pessoas,

Aqui vai um linkzinho para deixar todo mundo de bom humor: Star Wars with bunnies. Duvido que alguém não tenha assistido o original, mas não custa avisar: O conteúdo é spoiler.
Não deixando de citar da fonte, aqui vc encontra diversos outros filmes with bunnies: Angry Alien Productions.

Divirtam-se

sexta-feira, março 17, 2006

Somniculus

Ônibus. No ônibus. Movimento. O calor é degradante, a viagem lenta. Viagem, literalmente. O Shin’in, ex-imperador Sutoku, levanta-se e dá lugar a uma moça. Propicia-me a conversa mais agradável que eu já tive com estranhos dentro de um ônibus em toda a minha vida. Do lado de fora, os carneiros atravessam a paulista na faixa, pulando o canteiro central. Ela me pergunta o que estou lendo, eu mostro. Ela diz ser dona de uma empresa de artigos de bambu. Take era o nome, acho. Mais algumas palavras e me despeço, levanto, passo a catraca e percebo que não estou bem aonde eu pensava. Faltam três ou quatro pontos até o meu, mas fiquei com medo de perdê-lo, a conversa estava realmente boa. Desço do ônibus no meu ponto habitual e noto que o vento balançando a cerca viva de uma casa lembra as algas do fundo de um aquário, ou isso foi depois? Depois eu acho, antes eu atravessei a faixa da Faria Lima, antes ainda a da Cidade Jardim. Os carneiros estavam lá, eu me lembro. Pulavam alegremente e não pisavam nas rachaduras do chão de concreto. Distorções espaço-temporais, fotofobia. Meu estado é realmente deplorável. Paro em um café e peço um chá, odeio beber café, preciso de cafeína. Pago ao homem que me atendeu realmente confuso e quase esqueço o troco com medo de perder o meu próximo ônibus. Saio em tempo de vê-lo chegar a toda velocidade. Não, não era ele, agora estou confundindo cores também. Entro em outro ônibus evitando pisar nos degraus com cogumelos, bebo chá mate e acordo um pouco. Sento-me, mas ainda tenho a sensação de que os objetos são feitos de diversos planos sobrepostos, sem a profundidade que enxergamos. Um mundo composto por diversos planos que, quando viramos rapidamente a cabeça, conseguimos ver saírem de registro. Lentamente as coisas voltam ao normal, acho que acordei um pouco. A cabeça pesa, mas agora está tudo bem, noto que estou muito atrasado. Respiro fundo, me recomponho assistindo a um senhor de aparência circunspeta que trava uma guerra contra a sua pasta. E quando me viro para a moça ao meu lado uma carpa gigante me saúda do lado de fora do ônibus, flutuando em frente à cerca viva de algas do restaurante mais próximo, aonde os carneiros tomam um brunch. Preciso dormir.

sábado, março 04, 2006

Cada coisa que a gente encontra...

O computador é realmente uma arma... Quando você menos espera percebe que acabara de apontá-lo para o exato ponto médio entre os seus olhos e BANG! São 01:33 e você é uma criatura balbuciante em frente a uma tela com um brilho azulado. Geralmente é nessa hora que você acaba encontrando coisas que, por falta de memória produtiva acordada alocada em seu subconsciente, você não consegue interpretar. Então você se dirige ao seu blog com a esperança de que alguém o leia e publique uma resposta que explique por que você resolveu publicar esse link a essa hora:
Larry Poter

É lógico que o tiro pode sair pela culatra e ninguém comentar, mas é um modo bastante eficiente de tentar não pensar e ir dormir logo de uma vez...

Ps.: Feliz aniversário Dríade! Tão logo eu reinicie o meu cérebro tento ligar novamente para te dar parabéns de forma minimamente aceitável. ;)

sábado, fevereiro 25, 2006

The Mechanical Contrivium: Juca

Ten Top Trivia Tips about Juca!

  1. The difference between Juca and a village is that Juca does not have a church.
  2. 68 percent of all UFO sightings are by Juca.
  3. Olympic badminton rules say that Juca must have exactly fourteen feathers.
  4. Juca became extinct in England in 1486.
  5. Juca can be seen from space.
  6. Pound for pound, hamburgers cost more than Juca.
  7. Originally, Juca could not fly.
  8. If you lick Juca ten times, you will consume one calorie.
  9. Neil Armstrong first stepped on Juca with his left foot.
  10. A lump of Juca the size of a matchbox can be flattened into a sheet the size of a tennis court.
I am interested in - do tell me about

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Um 2006 menos chato?

Essa é para alegrar o carnaval crianças, divirtam-se lendo, bom feriado, muito rock e muita breja!*


2006, o ano candidato ao título de mais chato da última década, parece ter sofrido um duro golpe em seu status com a divulgação de que a Copa do Mundo de Futebol possa ser cancelada devido ao aumento do número de casos da gripe aviária na Europa. Assim, a expectativa de que o ano de 2006 venha a se tornar um ano inócuo ou minimamente interessante aumentara cerca de 50%. Restam agora apenas as eleições como segundo pólo potencialmente entediante e o anseio por dias melhores. Até lá evitem uma infecção cerebral aguda mantendo seus televisores desligados ou a uma distância segura dos canais de esporte e TV aberta.
Antecipando qualquer probabilidade de que o governo alemão arrisque suas chances contra a grande possibilidade de iniciar uma pandemia realizando a copa, grupos intelectuais têm se mobilizado para criar um fundo com o intuito de presentear os candidatos à presidência com viagens para a copa e desse modo salvar pelo menos o segundo semestre.

Mais informações em:

Josias de Souza nos Bastidores do Poder
“uma ameaça ronda a copa”
http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2006-02-19_2006-02-25.html


Folha Online
“Alemanha já tem 103 aves mortas por gripe aviária”
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u92822.shtml



* Ou lasse caso você lendo seja Hare... ;)

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Comia, comia e comia

Tive um sonho. Sonhei que eu repentinamente começava a viver muito, muito infeliz. A infelicidade era tanta que eu não era capaz de sentir prazer com nada. Então, em uma tentativa desesperada de obter alguma felicidade, eu começava a comer sem parar. Tudo aquilo que eu fazia, fazia comendo: se eu estava ao computador, comia; se eu andava, comia; se eu dormia, estava abraçado a um pacote de bolachas ou qualquer outra coisa comestível que se espalhava pela cama a minha volta. E a cada vez que eu passava por um espelho via meu reflexo cada vez mais gordo.
Dado momento, cada vez mais espantado ao ser surpreendido pelo meu reflexo parei e continuei observar um espelho. E para a minha surpresa comecei a inchar e inchar, engordando mais e mais. Minhas roupas rasgaram diante de meus olhos numa fútil tentativa de conter o meu imenso corpanzil. Ainda assim eu continuava a assistir, incapaz de desviar os meus olhos, até o momento em que eu explodi.
Suando frio eu acordei espantado olhando ao meu redor e, ao me deparar com a minha imagem refletida em um espelho vi que nada havia acontecido, porém uma pergunta não me fugia à mente: Se não podemos bebê-la, comê-la, metê-la ou comprá-la, resta apenas esperar que a felicidade surja?

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Ossos do ofício

Quem dera, nós pessoas inteligentes, fossemos menos complicadas e excêntricas. Porque a inteligência que nos é tão cara, infelizmente, nos torna aos olhos dos outros pessoas pedantes, frias e incompreensíveis. Quem corteja a inteligência com intimidade raramente se afasta dela para além do ponto onde distinguimos suas sardas, pupilas e cílios, linha que pessoas que não nutrem essa paixão não se arriscam a cruzar. Falo de paixão verdadeira, aquela sem a qual a vida de uns tantos não seria a mesma. Uma vida sem um livro qualquer para ler entre uma estação e outra do metrô (que diria então de um Graciliano, um Tokien ou um Shopenhauer). Um xadrez, um go ou uma outra atividade lúdica para excitar uma tarde entre amigos. Uma boa Hq ou um bom filme independente para aquecer uma noite. A inteligência é um critério gradual, ela não permite que se divida as pessoas entre duas categorias radicalmente opostas: quem a tem ou quem não a tem. Mas se é seu desejo dividir basta um olhar para saber a quem ela fascina ou a quem não. O que sobra é um abismo criado pelo paradigma social, um abismo que algumas horas é tão grande que faz de nós sábios, solitários.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Atum é assim, você só comenta quando pesca um dos grandes e não quer que ninguém fique criticando o tamanho do seu.

Quero quebrar este silêncio, dizia eu a mim mesmo, contrariado pela falta de idéias como quem reclama por comprar uma lata de atum sem ter um abridor de latas. Coisas de louco: latas vendidas sem o abridor e pessoas que conversam sozinhas, mas embora eu converse sozinho, isso já é outra história. Neste exato momento a falta de idéias ou a falta de intimidade comigo mesmo talvez sejam o ponto.

Voltando a vaca fria, quer dizer, ao atum neste caso, isso me faz lembrar da história dos tiozinhos famintos lá no agreste que ganharam comida através de uma campanha de caridade e receberam várias coisas legais, como latas de atum, ervilha e óleo para cozinhar, porém havia um pequeno detalhe, eles não tinham com o que abri-las. Não gosto nem de imaginar o pobre povo faminto olhando a foto do peixe a devolver o olhar em esgar e as bocas todas salivando.

Pensar tem, de fato, muito a ver com atum, assim como as atividades que cercam o atum, quer dizer, o pensar em geral. Pensar é como cozinhar Atum, você põe o atum na panela, deixa ele lá rolando no vapor, joga um tempero ou outro para acentuar o gosto e mexe de quando em vez para não queimar embaixo. Escrever é como tirar o atum da lata, se você usa um abridor fica fácil, de outro modo você corre o risco de o atum não sair muito aproveitável. Revisar o texto de alguém é como limpar o atum, não é difícil e se parece um pouco com escrever. Tem quem goste mais e tem quem não goste, indiferentemente, a maioria dos autores age como se você estivesse limpando o peixe deles com um abridor de latas quando você sugere uma leve mudança. Atum é assim, você só comenta quando pesca um dos grandes e não quer que ninguém fique criticando o tamanho do seu.

Ando com uma sensação estranha, uma espécie de frio na barriga ou coisa do gênero, como se eu estivesse ouvindo alguns barulhos estranhos, assustadores e pouco reconhecíveis... 13:31, me esqueci de almoçar, será que eu encontro uma lata de atum por aí?

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Desculpem-me

Após passar uma semana revisando textos de livros didáticos em uma escola infantil venho oficialmente por meio dessa pedir perdão a todas as pessoas que forma de alguma forma ou em algum momento foram responsáveis por mim (e também a algumas das que não foram) ou que de algum modo passaram pela tragédia de ter que me aturar quando pivete. E informo também que agora, ainda mais do que antes, não é de minha intenção perpetrar a vilania de estender o legado de nossa espécie e conseqüentemente submeter alguém à barbárie de ter que cuidar de uma criança. E tenho dito.

Ps.: Aproveito também o embalo para registrar o meu repúdio aos líderes mundiais pelo fato de que o Pacto de Versalles não pronuncie palavra alguma sobre um ato tão reprovável.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Frase Red Dragon da Semana

"Já fui bom nisso..."

Se é que ainda existem dragões...
E o mais engraçado é que essa frase pode ser irônicamente aplicada a qualquer coisa.

sexta-feira, novembro 18, 2005

sexta-feira, novembro 04, 2005

Liberta meu pensamento

Para variar um pouco o nada, esta semana eu tenho a impressão de ter acordado de um torpor de anos, não sei o que me deu e nem se já acabou ou se está por aí ainda. Pode ser apenas uma daquelas piscadas que damos durante a noite enquanto dormimos e das quais muito provavelmente ao acordar não nos recordemos. Mas está aqui agora, um lapso de consciência. Um lapso talvez muito produtivo até (assim espero)... Para variar surgiu do nada, mas acho que não foi bem do nada, foi do vazio, daquela dissonância em mim mesmo que eu odeio, aquela que faz eu me sentir transparente, fútil, inútil. Não sei, acho que ontem por algum instante lendo, ainda que apressadamente, uma HQ que nem valia à pena, perdido na tarde enrolado em um edredom sobre o sofá da sala de alguém de quem gosto muito e que agora sinto remorso de ter atrapalhado, ontem, consegui encontrar um pouco da paz que me foi há muito roubada. Não por nada, apenas porque foi um momento de privacidade da minha alma, um momento aonde me senti inócuo, um momento que pôde me mostrar a ausência e determinar a diferença entre a ânsia de ter que fazer tudo e a meditação inconsciente. É isso, um texto provavelmente confuso e mais do que provavelmente vazio de significado para a maioria das pessoas, perdido entre toneladas de terabites de páginas e arquivos, mas que para mim, ao menos agora, parece significar muito. Como já dizia aquele sábio pintor, a arte não está em saber aonde colocar a tinta na tela, mas em saber aonde não colocá-la. Agora torçamos para que este lapso de consciência, que é na verdade um lapso de inconsciência, porque rompeu a não-existência que a minha mente anda cruzando, possa rasgar o véu diáfano da não-existência que enveredou sobre o meu ser ultimamente fazendo de mim apenas uma casca.

terça-feira, novembro 01, 2005

Redshift*

O sonhar está lentamente voltando a ser uma parte lúgubre do inconsciente de onde saiu... e desta vez talvez volte, talvez por um longo tempo, talvez para sempre. Estou cansando de escrever no vento, estou cansado... Foram três anos escrevendo aqui e nas sombras da canção, o que por vezes me fez feliz e por vezes me fez triste, mas nunca me fez tão solitário quanto tem feito agora. Escrever, antes, era um sonho, depois tornou-se uma brincadeira, um elogio a um modo de pensar e a todas as pessoas que partilhavam dos meus pensamentos. Hoje talvez seja a placa de “bem-vindo” encontrada à porta de algum gueto ou a placa de “aberta a temporada de caça” sobre a toca da raposa. Amanhã talvez seja um pesadelo. A colméia, chamada humanidade, não admite sujeitos diferentes e diferente eu sou, intelectuais estão mais uma vez sendo vistos com maus olhos e logo veremos a fogueira arder. Que seja... A verdade? A verdade talvez seja que o meu Ego não suporta os golpes dos últimos dias, maldita mania de querer ser um herói que só me levou a descobrir que o Ego é um ser perigoso. Só sei que nada sei. E que imbecil pretenso eu fui querendo saber o mundo. Talvez seja a hora de ser um pouco mais inteligente e parar enquanto ainda há tempo.


* Redshift - http://www.on.br/glossario/alfabeto/d/d.html#deslocamentoparaovermelho

quarta-feira, outubro 19, 2005

Mais devaneios

Ando me sentindo perdido nos últimos dias. Bombardeado com várias idéias me sinto como o chão da floresta equatorial, cheio de sementes à espera de um raio de sol para me iluminar, aquecer e fazer florir novas idéias. É uma sensação bastante estranha. Fico procurando motivos que a justifiquem enquanto assisto indignado aos reclames do referendo sobre a comercialização de armas, o que me entristece é que as pessoas esqueçam-se de que gatilhos não disparam sem dedos e dedos não se movam à revelia. Assunto chato e cansativo, mas no que me diz respeito, acho que prefiro votar por uma morte rápida embalada pelo cheiro da pólvora que pela agonia de 13 ou 18 facadas. Juro que eu queria ter o argumento final, juro que gostaria de ter uma resposta definitiva para iluminar à todos nós, párias, descamizados e famintos que continuaremos sem ter dinheiro para comprar arroz, quanto mais um trinta e oito. Mas quem sabe um daqueles tios gordinhos que ocupam os assentos do parlamento não tenham uma boa idéia e, tal qual fizeram impedindo a reprovação dos alunos nos colégios, não nos proíbam de morrer? Ninguém mais morreria, os donos de fábricas de armas poderiam continuar vendendo seus produtos e todos seriamos felizes para todo o sempre. Não importa... Já estamos todos mortos. Morremos quando nos fora negado o esclarecimento, morremos a cada dia um pouco quando nos impedem de dar cabo às trevas de nossa ignorância, morremos porque a despeito do que digam a informação é para todos... todos aqueles que possam pagar por ela. Para os outros resta apenas o marketing.

Ah... Cansei-me... Disse que não ia falar sobre isso e acabei dando com a língua nos dentes... Fico feliz apenas porque só consegui escrever quando não tentei fazê-lo. E talvez seja isso, talvez a minha criatividade esteja empedrada por causa disso. Ou talvez não. A única coisa que sei é que no último mês ganhei uma maravilhosa amiga sereia e ontem ela me fez a pergunta derradeira. Disse-me ela:

_O que você perdeu?

E atônito eu respondi que não sabia. Não sabia e continuo não sabendo, mas perdido está... é um fato.

É isso meus amores, agora tenho lição-de-casa para fazer, então me vou. Peço que me desculpem pela ausência prolongada e por não voltar aqui cheio de histórias divertidas sobre as minhas “férias” na Oktoberfest. Mas por hora está difícil e eu ando bastante preocupado com o meu selvagem companheiro Nihil...

sexta-feira, setembro 30, 2005

Perda de Tempo

2:02am, vagam pela casa eu e os espectros da noite. A luz vinda do quarto no final do corredor espalha pelo resto da casa uma tênue iluminação que tinge com tons de amarelo as cores azuladas da visão noturna. Sigo o corredor a passos calmos, alcanço o quarto com os cabelos molhados começando a formar cachos e, numa retrospectiva de falas perdidas por outrem ao longo do dia, penso quanto tempo perdemos ao longo da vida com preocupações fúteis e assuntos menores sem nunca se dar conta disso. Nesse momento roubo uma hora do meu sono já atrasado pela espera de um visitante ausente para redigir essas parcas linhas. Redijo-as para não perder o costume, redijo-as para cumprir uma promessa feita a mim mesmo, redijo como se esta fosse uma carta endereçada ao meu nome. Enfim, escrevo por motivos diversos, mas retornando ao assunto, perdemos tempo com muitas coisas que, de fato, não interessam. É isso, foi só uma constatação, não pretendo perder muito mais sono para explicar o que deve ou não interessar. O fato é que algumas das coisas que quero estão estagnadas a dias por conta das falsas prioridades a que a vida moderna nos impõe.

sábado, setembro 17, 2005

"Home is where your heart lies, they say."

Não sei quem pronunciou essa frase pela primeira vez, nem quem foram os primeiros a propagá-la, mas gosto de pensar, como decerto deve ser, que esta frase surgiu em meio àqueles homens bravios que singraram o azul desde o princípio das coisas. Pode ser apenas ilusão minha, mas essa é parte de minha natureza de pretenso contador de histórias e tecelão de sonhos. Assim, sonhem comigo. Sonhem porque é na ousadia dos homens que seguem em busca do lugar onde o céu toca o mar que mora a verdade. Sonhem porque embora só os sonhos possam ser assim tão belos, não é preciso fechar os olhos para viver pesadelos. Sejam grandes e audazes, mesmo que isso por vezes signifique arriscar o que lhes é mais caro, como tantos homens e mulheres o fizeram antes de nós. "Be bold - and mighty forces will come to your aid" - Basil King. Porque mesmo se estivermos à deriva, mesmo se tudo o mais der errado, o nosso lar continuará sendo o lugar aonde o nosso coração pertence.

terça-feira, setembro 06, 2005

Paradoxos

Tremeu diante do silêncio, pálido como um defunto em frente à tela azulada do computador. Era ali em seu quarto, mas poderia ser em qualquer necrotério aos sons dos pneus distantes atravessando as ruas molhadas pela chuva que passou. Chuva que também poderia ser ali, dentro de casa, dentro do quarto, debaixo de seus olhos e sobre o seu coração. Só compreende a solidão quem dela sofre. Porque só os solitários sabem o que é sentir o coração apertado, enrijecido pelo frio. Um frio que qualquer um poderia calar exceto eles mesmos. Ser só é como morar em uma casa sem paredes e ser açoitado pelo vento que devora as plantas e agride os corpos com pequenos fragmentos de areia. Desejou, ao menos uma vez na vida, compreender o segredo de não precisar de nada nem de ninguém. Por algum tempo talvez até o tenha compreendido, ou assim acreditava. O segredo das crianças com seus amigos imaginários, o segredo dos velhos que falam sozinhos. A noite avançava cada vez mais fria e ele amaldiçoava a expectativa e o sentimento desperto. Se ele transformara seu coração em pedra o que os outros tinham com isso? Não é o princípio de não sentir dor, o de não causá-la? Ao menos a si próprio... Deixem me então esquecer o que é o amor, porque não se sente falta de alguém a quem se desconhece ou de um lugar onde nunca se esteve.

terça-feira, agosto 30, 2005

Siriris

Os siriris dançam lá fora traçando elipses ao redor da lâmpada que ilumina parte do quintal. E eu que não sinto exatamente fascínio pelo frio fico feliz pelo dia quente que passou. Vou contar uma coisa, é que eu adoro verão. Sim eu adoro, mesmo sabendo que o inverno só acaba daqui a uns vinte e poucos dias, mesmo o dia tendo esse ar de artificialidade, mesmo estando tão abafado que eu mal consiga ouvir meus pensamentos tamanha enxaqueca que esse calor me trouxe. Os dias andam bons, repletos de conversas agradáveis com grandes amigos, o que tem me deixado muito feliz. Coisas de cancerianos...

segunda-feira, agosto 29, 2005

Às mais belas flores

Algumas coisas são mais surpreendentes do que deveriam. É estranho não reconhecer a beleza rara de uma flor. A delicadeza plácida e até um pouco vulgar das pétalas, o modo como elas se atam às sépalas, seus pistilos longos e delineados, o sabor intenso do néctar, o aroma exuberante, as cores vibrantes... Nenhuma flor é igual a outra. Não, cada botão é único em sua pequena existência e a cada florada novos botões abundam sem nunca se repetir.

Eu costumava comprar flores... Grandes gérberas alaranjadas e, às vezes, botões de rosas com suas aveludadas pétalas vermelhas. Foi a um longo tempo, se foi. Eu adorava a situação como um todo de ir até uma banca de flores e escolher lentamente o botão perfeito. De sentir a umidade vinda dos vasos e o cheiro das flores no ar, de ver o florista trabalhar acertando o comprimento do caule e limpando-o dos acúleos. De andar pela rua levando o botão solto e fresco e do olhar poético que as pessoas lançavam sobre mim. E quando chegava ao meu destino eu adorava assistir aos risos florescerem, encantadores, sinceros, profundos, inesquecíveis, únicos.

domingo, agosto 21, 2005

Vômito

Então eu tento fechar a minha cabeça para que as idéias não escapem, não fujam ou se misturem com as outras coisas ao meu redor. Como se todas as coisas no meu quarto fossem pintadas em tinta a óleo e a qualquer momento que eu toque ou olhe para qualquer coisa isso possa se misturar as minhas idéias. Não quero, ou melhor, não posso, não agora pelo menos. Tenho algo importante a pensar, a escrever. Digito olhando para o teclado para não ver absolutamente nada ao meu redor que possa me desconcentrar.
Tudo começou ontem à noite. Fui a uma festa de noivado muito legal de uma amiga minha da faculdade, que me arrependo de não ter conhecido antes, assim como a todas as pessoas com quem atualmente eu falo por lá. É como se depois de todos esses anos o curso tivesse separado o joio do trigo e agora eu possa encontrar pessoas que são como eu. Isso é adorável, embora não queira dizer necessariamente algo além disso. São pessoas como eu sou, nem melhores, nem piores do que as outras pessoas. Na vida carecemos ter pessoas diferentes assim como carecemos ter pessoas minimamente parecidas conosco. Mas às vezes o manto da igualdade esconde diferenças estarrecedoras. Enfim, o meu leitor que me perdoe o raciocínio tortuoso, é que quando passamos por um período de estiagem criativa, nós escritores, temos acessos nos quais vomitamos todas as idéias que nos vêm à mente, tudo o que pensamos, tudo o que sentimos; acessos que queremos, desejamos, precisamos grafar de qualquer modo. Para mim, hoje é um desses dias.
Como eu ia dizendo, ontem fui a essa festa em uma tradicional balada rock n’ roll paulistana. E sob a sensação hospitaleira da fraternidade não consegui evitar me sentir um pouco deslocado por estar entre várias pessoas que conheço a pouco tempo. O que mais uma vez me obriga a interromper para pedir desculpas, pois o fato de serem novos amigos não os diminui de modo algum. A admiração mútua, o tratamento afável que se estabelece entre todos nós é de todo respeitoso e sincero, o que me comove bastante a despeito do fel. O fel é apenas um desconforto fútil que sinto, semelhante a começar um livro pelo seu último capítulo. Como assistir ao final de uma peça identificando-se a um Hamlet cuja paixão se desconhece. É o grito agonizante de alguma sinapse esquizóide em meu cérebro.
Não sei se vocês compreendem o que tento falar, entendo que as sucessivas interrupções narrativas a que eu vos submeto evidênciam o tão pernicioso assunto. Eu falo sobre o medo. Maldito medo que me persegue noites a fio, sombra longilínea que se estende a partir dos meus pés. Queria entender quem me infundiu todo esse medo. Quem... Eu mesmo talvez, tendo me submetido a meia dúzia de relações espúrias que me fizeram apenas mal. Agora eu medro toda vez que recebo um olhar afetuoso, esperando um golpe de chave inglesa por cada sorriso. Não compreendo a mim mesmo. Tenho, às vezes alguns delírios de entendimento, pálidas idéias que não conseguem refletir a realidade. Realidade... E o que é a realidade senão um status mórbido criado por cada um de nós para convenientemente simular o meio e justificar aos nossos atos, a nós e aos nossos imensos umbigos.