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quinta-feira, abril 08, 2010

Queria

Queria. Que houvessem grandes significados, questões de importância, consequências últimas e cenas poéticas como garotas de cabelo colorido, rãs alaranjadas, escaravelhos, lagos com carpas, e tons de fotografia polaroide alterados pelo tempo. Ou então coisas de avós, porque coisas de avós são sempre histórias legais de se ouvir, pois guardam um sentimento nostálgico de um tempo bom.

Queria, ou talvez nunca tenha querido, porque eu nunca soube e você talvez nunca saiba, quiçá a única importância disso seja o excesso de importância que todo mundo dá. Tudo muito freudiano e problemático como tudo aquilo em que se mete muita gente. Logo, farei como o homem que começou a escrever depois de morto e te direi sobre o passado que a verdade aqui é o que menos importa.

Não há história, só estória, desde o começo.
Significados fugidios,
importâncias ocultas,
inconsequências últimas
e poesias dissecadas.
"you see is all here, you are meant to be here, from the beggining..."

Até hoje nenhum momento foi tão prolífico quanto a calada da noite. Enquanto todos dormem, no silêncio de si e do outro eu me perco e me encontro. Ainda que para tocar o outro, faz-se necessário um certo conforto e um certo espaço. Pode chamar de timidez se quiser, mas as minhas ideias são muito voláteis, juntam-se como turbas ensandecidas, mas fogem ao ouvir o menor estalo. Um amigo costumava me dizer que era tudo uma questão de gravidade, com a qual as boas ideias precisam romper a fim de se lançarem da orbita ao redor das nossas cabeças para o mundo.

No fim das contas não sei dizer qual a finalidade disso tudo, embora o tempo traga sentido às coisas é difícil prever a objetividade de toda essa volatilidade. Hoje é tudo tão frágil, tão descartável, tão fragmentado que a mim já não é mais possível dizer se somos aqueles que veem as sombras de dentro da caverna ou se somos as sombras que observam a caverna de fora. Talvez por isso eu pinte, para que outros possam ver através da minha pintura algo que está além da realidade das uvas de Zeuxis.

sexta-feira, novembro 06, 2009

Trêmulo

Tremor. Um zumbido alto se sobrepõe por um instante ao ronco constante dos motores. Sirenes, vozes, alarmes de carro... A sala, imersa em sua penumbra habitual, permanecia naquele ponto inconstante, quase claro, quase escuro, quase quente, quase frio, quase confortável, quase ordenada, quase solitária.

Falta pouco para a aula, uma hora, uma hora e quinze, quarenta e cinco minutos talvez. Não faz diferença, hoje não. Hoje não estou para o ar viciado de terebentina e óleo de linhaça, nem para os corpos-objetos dos modelos ditos vivos. E depois de dois ou três telefonemas também não estou para ninguém, o que é o jeito hipócrita de reconhecer ser dado ao ostracismo. Cuja mordaz indiferença é a parte mais dolorosa entre o esquecer e o quase. Que por longos instantes me transforma num objeto de dar corda ou num sátiro cuja importância se relativiza diante de tantas outras distrações disponíveis. Não é a toa que o gentio se deixa iludir por fábulas e mitos megalomaníacos de infinitude, entes supremos, paraísos, infernos e toda a sorte de coisa que designifica o suicídio e lhe tira a mente de sua vida vazia.

Agora lembro-me de uma amiga a contar de um amigo formado bacharel ainda imberbe em uma profissão mercadologicamente viável e dono de seu primeiro milhão aos vinte e poucos anos. E ainda hoje, cético da existência de gente assim, me pergunto o que é essa lógica diabólica que afirma que alguém assim "deu certo". Orgulho-me de estar pastando o diabo, sem ter onde cair morto se isso me trouxe alguma lucidez. Ainda que doa na minha alma os dias e dias sem uma conversa amistosa, que quase todos os meus amigos já me tenham apenas na efemeridade de um punhado de memórias cálidas. E que a certeza da minha existência resida apenas no calor tépido que se esvai de beijos apaixonados, abraços apertados e do cheiro da amada que persiste em meu corpo.

A poucos passos da obliteração, resistem apenas linhas mal escritas com palavras borradas e idéias satânicas. Algumas telas empoeiradas num canto. Olhares devovidos em fotos. E longas reflexões sustentadas de forma tão imaterial por uns poucos watts de eletricidade.

terça-feira, maio 27, 2008

Incertezas

E o que se faz da tristeza implacável que se abate sobre o peito e abraça-nos com tão extrema fúria, calor e paixão que o ar nos falta longamente, fazendo-nos por vezes duvidar da consciência que ainda nos resta. O cansaço segue e o silêncio observa enquanto a cabeça repete as palavras alheias e o remorso de escolhas incertas rói a carne lentamente.

segunda-feira, março 03, 2008

Tudo Sobre Eu ou Você

Você pode falar sobre o que não compreende?
Sobre aquilo que está além da íris, oculto por camadas de pele, carne, ossos, sentimentos e pensamentos?
Ou cantar as gestas de uma existência que gostaria de significar algo além de sua mera essência?
Alguma vez você já fez algo tão significativo que o bem gerado a partir de suas ações redimisse a culpa de uma existência desperdiçada?

quarta-feira, novembro 28, 2007

Mario ou não Mario? Eis a Questão.

Sem entrar na polêmica desnecessária sobre o excelente trabalho do governo na tentativa de ressaltar que "os seres humanos são iguais o caralh..." e a política de cotas, aqui vai um link interessante sobre o dia da consciência negra.

A foto do Banner e a polêmica: Será que é o Mario?

A moda agora é colorir todo brasileiro proeminente, como se a cútis de alguém fosse fator determinante de capacidade ou inteligência, Hitler explica. Será que é por isso que é chamado de "mês da consciência negra"?

terça-feira, novembro 20, 2007

Nota Sobre Lavagens à Seco

Eu poderia me sentir sórdido se me importasse com falsos pudores sem pensar. Essa história toda de pudores que a população e os religiosos adoram só serve para vender livros e sustentar toda essa depravação que é a política. Esses dias alguém tentava me convencer a experimentar uma técnica de meditação dizendo que era proibida na china e que os praticantes eram até perseguidos. Eu fiquei me perguntando quem será que estava errado, o estado chinês ou os praticantes da tal técnica? Nunca se sabe ao certo de que lado vem à lavagem cerebral. "There's always a catch".

sábado, setembro 22, 2007

terça-feira, setembro 11, 2007

Rir de si mesmo

É preciso rir de si mesmo. Perder essa mania besta de se levar muito à sério.

sexta-feira, abril 27, 2007

Encontre o que você ama

Este vídeo é um discurso feito pelo Steve Jobs na formatura de uma turma de graduação em Standford e também uma das coisas mais certas sobre a vida.

O vídeo está em ingles, mas alternativamente você pode encontrar o discurso integral em português no site da Você S/A:

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Problemas do Ensino na Faculdade de Letras

O problema do aluno que termina o ensino médio e escolhe sua graduação "jogando dados" é universal. O ensino médio joga um monte de informações na cabeça do indivíduo que mais confundem que preparam o estudante para tomar o próximo passo.

Além disso, a faculdade no Brasil tem caminhado cada vez mais para um sucateamento por razões mercadológicas. O indivíduo quer fazer uma faculdade não para aprender, mas para ter menos dificuldade em conseguir um emprego.

O resultado é o ingresso de uma multidão de alunos preparados para uma prova de vestibular e despreparados para o conhecimento acadêmico. O que conseqüentemente vem provocando um “afrouxamento” dos requisitos necessários para que o universitário consiga o diploma.

O caso da faculdade de Letras é grave, o aluno chega ao curso sem saber qual a sua real utilidade e com a expectativa de um curso fácil (um engano comum gerado pelo preconceito contra as carreiras de humanas). E lá se depara com um conhecimento complexo e extenso, ministrado através de um método que ignora as aptidões do aluno e que se quer prepara-o para exercer adequadamente o cargo de professor, quanto mais à miríade de carreiras que poderia.

sábado, fevereiro 10, 2007

"A Juventude é uma Banda numa Propaganda de Refrigerantes"

A juventude é uma coisa incrível, faz do nosso mundo um lugar divertido e da nossa vida uma aventura. Somos impetuosos, espirituosos, aventureiros, divertidos, sinceros... enfim, jovens! São tantas coisas novas e, ao mesmo tempo, é sempre como se o mundo fosse acabar no próximo instante. Pena que passa tão rápido.

Pessoalmente, não me arrependo de quem eu sou agora e acredito que eu não trocaria o que eu tenho para poder viver isso novamente (isso é porque eu não sou mais adolescente, senão com certeza o faria... rs). É só que...

Sei lá... nostalgia.

domingo, dezembro 31, 2006

5 Minutos de Solidão

Talvez, muito provavelmente o último relato desse ano.

Para quem sempre sofreu de solidão, esse ano me descobri terrivelmente viciado nela. E uma inexorável verdade. Solidão vicia. Quem aprende a apreciar o silêncio adquire um vício muito difícil de largar.

Eu sempre afirmei que nós humanos somos criaturas sociais, mas a coletividade não faz sentido algum sem a singularidade. A coletividade só faz sentido quando cada uma das suas entidades singulares possui algo para trocar. É dessa troca que a coletividade se enriquece, de outro modo, a coletividade se torna apenas uma singularidade de muitos que com o tempo passam a depender uns dos outros para mal e porcamente conseguir ser um só.

A solidão é necessária para o nosso desenvolvimento. Sem ela somos incapazes de realizar atividades como a reflexão, por exemplo. Somente quando estamos a só podemos refletir sobre toda a experiência adquirida, entre outras coisas, da troca com a coletividade.

A solidão é o verdadeiro momento onde criamos coisas novas, é por isso que o início da criação é em geral atribuído a apenas um Deus.

A solidão é aquilo que, por contraste, nos permite atribuir valor a todas as coletividades, a todas as particularidades, a todas as diferenças; talvez não vivêssemos em um mundo com tantas guerras se aprendêssemos a ser mais sozinhos.

É através dos momentos de solidão que o homem aprende a aceitar melhor a si mesmo, aprende a importância de partilhar e de ter com quem partilhar. É assim que o homem pode aprende a importância do outro, aquele que para ser, por princípio, não é igual a você.

O homem tem muito que aprender sobre ser sozinho antes de aprender a conviver em sociedade. Isso é independência, respeito e responsabilidade. É por isso que para esse novo ano que começa eu desejo a mim e a todos os homens que tenham um pouco mais de solidão.

[]’s e um feliz 2007!

segunda-feira, outubro 09, 2006

Pensamentos rápidos sobre o ego

Já me disseram que eu sou a única pessoa que lê essas coisas, mas ainda assim eu juro que fico com raiva quando entro em um site que não tem um link do tipo “o que é isso?”.

Tudo bem, dizer o óbvio é algo bobo, mas às vezes, algo que é óbvio para mim, não o é para você e vice-e-versa. Talvez seja por isso que muitos sites não tem uma seção desse tipo. É algo irritante quando alguém não entende sobre o que estamos falando e dói no ego pensar: “Como posso eu não estar sendo entendido?”. Na cabeça de quem fala parece sempre habitar um serzinho arrogante que não lida bem com essa idéia.

Mas fazer sites, escrever e tantas outras coisas que possuem uma expressão artística, que tentam comunicar algo, padecem do mesmo mal. Antes de haver a arte deve haver o artista, e antes do artista o ego. Isso não é exatamente uma coisa bonitinha porque não é para ser assim, é algo que é simplesmente e, talvez, se pudesse ser diferente, alguém já teria descoberto depois de tanto tempo de humanidade.

segunda-feira, setembro 18, 2006

quinta-feira, julho 27, 2006

Fim de Férias

As férias da faculdade estão acabando e com elas vão o meu animo que custou a voltar e não voltou muito. Ando muito chateado por faltar tempo para fazer absolutamente tudo. O último semestre foi péssimo para a faculdade e de modo geral péssimo para a minha vida, não sei o que houve, mas eu consegui passar seis meses totalmente ou quase totalmente distante de praticamente todas as minha atividades normais. Nem para escrever eu tenho conseguido tempo e quando tento escrever não sai nada que presta. Ando deprimido.

***

Era inverno, mas bem que poderia ser verão. As pessoas caminhavam na rua usando roupas leves e a únicas duas coisas que faziam ponderar a estação eram os agasalhos para o ar condicionado dos escritórios (e para a noite) e a falta de chuva. A última semana de férias passava tão depressa quanto as pessoas na rua em frente ao prédio.

Uma moça de blusa verde-água e cabelos pretos virou a esquina e passou apressada em meio à multidão. Um rapaz bem alto e magro vestindo uma calça social marrom e uma camisa bege claro vinha no mesmo sentido enxugando a testa com um lenço. Um senhor de idade passava devagar por ali, um cão vadio também, coisa rara nessas paragens. Centenas de rostos surgiam para desaparecerem instantes depois na entrada de um prédio, virando uma esquina ou no meio do povo na distância. Sempre rápido, muito rápido.

Meus olhos ardiam cansados e eu imaginava o que se passava por trás de cada rosto que via ou que rumo poderia tomar a vida se eu saudasse a qualquer um daqueles rostos. Quem sabe o que poderia conhecer, quem sabe o que poderia aprender, quem sabe que lugares visitaria. Num instante dois ou três pessoas ali poderiam ter se tornado amigas, destinos poderiam ser traçados. Coisas novas poderiam acontecer. Simplesmente virei o resto e voltei para dentro do prédio, para aquele lugar estéril chamado escritório.

segunda-feira, março 21, 2005

quinta-feira, outubro 21, 2004

Frase Red Dragon da semana:

“O estado de degradação de um homem é diretamente proporcional à quantidade de Cup Nodles que ele toma no café da manhã.”