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domingo, março 25, 2012

Manhã Branca

Acordo para uma manhã branca. Os raios frios entram pelas frestas que o tempo abriu na janela. O teto se inclina em minha direção curvado pelo peso dos cupins e o tempo breve prenuncia mudanças. Está cedo de verdade, não aquele o cedo de todos os dias e todas as horas, o cedo do incerto, está cedo de verdade. O sono deixa a cama com pressa e vilania e eu já nem insisto que ele fique, mas levo alguns minutos para me dar conta de mim mesmo e da partida de um amigo.

Ele não foi embora ontem, já havia partido há uns cinco anos, ou talvez eu que partira então. Ainda assim é amargo acordar em um mundo arbitrário. Talvez eu nunca mais o visse mesmo que ele continuasse vivo, mas agora... Agora tudo o que faço é me lembrar dos ritos fúnebres e dos rostos de inúmeros desconhecidos, enquanto percebo o quanto já me esqueci dos rostos que nós conhecíamos e que não estavam lá. Como se houvesse calor num abraço hipócrita de quem teme a ave de rapina. Como se nossa carne não estivesse igualmente rota e carcomida porque ainda respiramos. E me assustei. Não por medo de sua sombra ou pelo toque de suas penas, nem pelo vazio deixado por quem nunca esteve ao meu lado, mas por perceber o quanto eu também já esqueci de mim mesmo.

sexta-feira, novembro 06, 2009

Trêmulo

Tremor. Um zumbido alto se sobrepõe por um instante ao ronco constante dos motores. Sirenes, vozes, alarmes de carro... A sala, imersa em sua penumbra habitual, permanecia naquele ponto inconstante, quase claro, quase escuro, quase quente, quase frio, quase confortável, quase ordenada, quase solitária.

Falta pouco para a aula, uma hora, uma hora e quinze, quarenta e cinco minutos talvez. Não faz diferença, hoje não. Hoje não estou para o ar viciado de terebentina e óleo de linhaça, nem para os corpos-objetos dos modelos ditos vivos. E depois de dois ou três telefonemas também não estou para ninguém, o que é o jeito hipócrita de reconhecer ser dado ao ostracismo. Cuja mordaz indiferença é a parte mais dolorosa entre o esquecer e o quase. Que por longos instantes me transforma num objeto de dar corda ou num sátiro cuja importância se relativiza diante de tantas outras distrações disponíveis. Não é a toa que o gentio se deixa iludir por fábulas e mitos megalomaníacos de infinitude, entes supremos, paraísos, infernos e toda a sorte de coisa que designifica o suicídio e lhe tira a mente de sua vida vazia.

Agora lembro-me de uma amiga a contar de um amigo formado bacharel ainda imberbe em uma profissão mercadologicamente viável e dono de seu primeiro milhão aos vinte e poucos anos. E ainda hoje, cético da existência de gente assim, me pergunto o que é essa lógica diabólica que afirma que alguém assim "deu certo". Orgulho-me de estar pastando o diabo, sem ter onde cair morto se isso me trouxe alguma lucidez. Ainda que doa na minha alma os dias e dias sem uma conversa amistosa, que quase todos os meus amigos já me tenham apenas na efemeridade de um punhado de memórias cálidas. E que a certeza da minha existência resida apenas no calor tépido que se esvai de beijos apaixonados, abraços apertados e do cheiro da amada que persiste em meu corpo.

A poucos passos da obliteração, resistem apenas linhas mal escritas com palavras borradas e idéias satânicas. Algumas telas empoeiradas num canto. Olhares devovidos em fotos. E longas reflexões sustentadas de forma tão imaterial por uns poucos watts de eletricidade.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Invisível

Deu calor, foi uma corrida que dei na rua, demorou a passar, horas e horas. Sinto o nariz cheio de ar e os ouvidos quase tapados. Os sons chegam abafados, submersos e tento segurar a chuva com um tremor interno. A sombra é fria e o sol arde enquanto me afogo em mim mesmo.

E enquanto isso, assisto às coisas e pessoas do outro lado do espelho d'água, numa outra vida em um outro lugar. Como se do alto do meu palco invisível, ao sentir a proximidade do clímax da minha tragédia, eu vivesse um meta-momento , um momento onde as coisas se invertessem e eu pudesse assistir a platéia. Enfadado de mim mesmo, cansado, repetitivo, nostálgico, agitado, desesperado, cansado, cansado, cansado...

A correnteza aumenta e quase me entrego, meio morto, abandonado ao acaso de ser uma sombra do homem, já quase sem forças para continuar. Tenho os bolsos vazios, um milhão de desejos e nenhuma moeda para o Caronte . E assim, a morte irá prevalecer e a vida também, com todas as suas lamentações as quais este lápis é o único confidente. O único capaz de realizar a materialidade e o significado intrínsecos destes fatos insignes. O único capaz de fazer algo à respeito e sobreviver.

quarta-feira, setembro 09, 2009

Hiatos

Ainda ontem quando acordei uma nesga de sol amarelo ouro avançava sobre a sala após fugir entre as nuvens negras que maculavam os céus. Era muito cedo, como há muito tempo não me lembrava de acordar por vontade própria. Os primeiros pingos me alcançaram logo antes de chegar ao ponto de ônibus e já continham em si o mesmo ímpeto que meu corpo quando ainda na noite anterior prometi para a mim mesmo um derradeiro esforço pela salvação dos meus dias.

Estava feliz com a minha pequena vitória sobre o sono, o cansaço, o tédio e o desânimo; permanecia levemente excitado mesmo diante da montanha russa emocional matinal. A água açoitara as vidraças do campus com toda a fúria e escorria plácida pelos vidros das janelas, causando aquela sensação boa de que tanto gosto. Mal havia passado das nove horas da manhã e já era noite.

E assim o dia foi passando, molhado branco-acinzentado com aulas boas, conversas jogadas fora com amigos aqui e ali e rompantes de paixão. Veio a noite tão úmida quanto o dia, o ar leve e respirável, o asfalto brilhante, uns poucos letreiros acesos, as dezenas de portas fechadas e um restaurante grego um pouco mais animado do que a lanchonete em Nighthawks. O dia foi-se tão surpreendentemente quanto chegou deixando apenas o desejo de poder mandar embora todo o hiato criativo com a mesma veemência de um dia bom de chuva.

terça-feira, julho 07, 2009

Esferográficas, grafites 2b e nostalgia

Fazia meses que não pegava em um lápis para escrever (e para ser sincero para desenhar também). Com essa história de computador para lá e para cá, greves universitárias e outras aberrações da vida moderna o pobre lápis ficou até empoeirado. Não era nada demais, nada sério, apenas umas anotações do que precisava ser feito ao logo do trabalho. O lápis conservara-se bem apontado, sinal do seu continuado desuso. E ele nem se lembrava mais como se parecia a sua letra que de tão garranchada que saíra pela abstinência, poderia bem ser a de outro. E o era.

Outros tempos, outros gostos, outros eus. Tempos analógicos. Lembrou-se das canetas e lapiseiras de que gostava de usar para escrever e para rebobinar as fitas k7 que ouvia o tempo todo enquanto escrevia. Gostos que mudaram ao longo do tempo, reflexo do ato de escrever, desenhar e da falta de um walkman. Gostara de seus cds, gostava de seus mp3, mas por melhores que fossem não eram a mesma coisa. Algo havia se perdido na tradução da tradução da tradução de alguma coisa que havia muito acompanhava a humanidade.

Pensou consigo mesmo e percebeu que o que sentia nesse exato momento era a mesma sensação que sua mãe sentira uma vez ao tentar lhe explicar sem muito sucesso porque sentira falta de escrever a bico de pena. Contou os minutos para sair do trabalho. Correu para o metrô e do metrô para casa. Foi para o quarto, subiu apressado num banquinho e tirou do armário o aparelho pouco menor que um tijolo pequeno. Arrepiado pelo frio e pela eletricidade, parou um instante para colocar uma camisa de flanela e, na falta de uma pilot de ponta fina, procurar uma bic. Sentou-se no chão de madeira , rebobinou uma fita, colocou os fones de que tanto gostava e, mais uma vez alheio ao mundo, escreveu pela tarde.

segunda-feira, março 23, 2009

Fast Forward

A realidade ainda brinca com meus sentidos. Durmo e o sono continua a me perseguir. O tempo passa. Eu corro, corro, corro e a realidade foge ao meu controle, a minha percepção. Tomo café. Uma xícara. Duas. O amargor toma conta e o sono prevalece. Nunca gostei de café, mas continuo tentando. Passa um dia, dois dias e quando acordo novamente é sexta feira 15:42. A semana foi-se e o fim de semana também. O que eu fiz? Aonde estive? O que aconteceu não sei.

Tento entender e tenho em mente duas hipóteses: Passei esse tempo todo tão cansado que nem me lembro de nada, como quando fico com sono e perco totalmente a noção do que acontece. A outra hipótese é de que o tempo passa realmente rápido quando estamos nos divertindo que eu nem vi. E, de fato, não tenho do que reclamar, meu trabalho novo é ótimo, as aulas da faculdade estão promissoras esse semestre, meu namoro vai bem e eu até consegui jogar um pouco de video-game na semana passada... mas a sensação ao final de cada dia é péssima.

Então o que? Algum sonambulismo bizarro que me faz lembra dos momentos em que estou acordado da mesma forma que dos sonhos que tenho quando durmo? Será isso o que me faz acordar diversas vezes ao longo da noite com calores diversos, dores nas costas e me sentindo atado às roupas como se fossem elas grilhões? Será um alcoolismo ou uma ressaca da realidade, um cansaço irremediável?

Tento não pensar no mal mais óbvio que sempre me leva aos mesmos becos sem saída com a esperança de que se eu o ignorar ele fará o mesmo por mim.

sábado, março 01, 2008

Equilíbrio, Razão e Sentimento

Amanhece mais uma vez. Acordo com os sons que chegam pela janela até o meu quarto onde o calor de um pequeno felino faz meus pés suarem. Ouço o barulho de pessoas caminhando na rua, indo de um lugar a outro sem propósito aparente, sem significado. Levando vidas acidentais de quem ninguém irá lembrar, vidas medíocres que se repetirão à exaustão até mesmo quando não forem mais humanas.

Um velho sentimento bate à porta, não tenho vontade de falar com ninguém ou comer, como ocorre tão freqüentemente em dias frios e chuvosos que também podem ser quentes e secos. Sinto raiva de mim, porque a explicação para a raiva não me escapa tão fácil quanto à explicação para aquilo que sinto. Às vezes a lógica é o cianureto dos sentimentos, às vezes o contrário.

Sigo a rotina. Levanto-me, me visto, me lavo e nem sei que dia é hoje. Mastigo um belo doce de goiaba caseiro (que é a sensação do momento para aqueles que ainda sentem o gosto) perseguindo algum sentimento com a vontade de quem se agarra à vida que lhe escapa. Eu faria inveja a uma anêmona se anêmonas sentissem inveja. Converso pouco e as minhas palavras se atiram vazias para as pessoas sem talvez passarem despercebidas.

E assim que tenho a oportunidade eu me sento e escrevo. Espremo todo o significado que tenho dentro de mim para uma folha de papel, me sufocando mais a cada palavra que escrevo com a minha inevitável dificuldade em equilibrar razão e sentimento. Meu corpo estremece e se curva com o esforço para o papel, as letras diminuem e se entortam. Subitamente o telefone toca e me interrompe com um grande susto. O coração pulsa rápido e com força, os pensamentos anuviam-se, a mão se recusa a obedecer e impõe ao papel os seus próprios pensamentos. O corpo trai, cede. Troco letras, troco palavras, nublo tudo com olhos que se fecham colocando o mundo que não entendo em uma perspectiva bizarra, o mundo cão que ensurdece e colapsa e então quando o vejo amanhece mais uma vez.

terça-feira, outubro 23, 2007

Meio-Casa

Outrora alegre e abarrotada, a casa agora lutava contra o vazio, varrida por um vento intenso que fazia a pele arrepiar de frio e dissipava o calor das camas. O silêncio se deitava entre lençóis amarrotados e objetos largados ao acaso avisavam olhares desavisados da presença que agora não eram mais que uma lembrança. Um triste fim para dias tão festivos, ainda que tão humano quanto nascer, crescer e ser esquecido, se é que um lugar possa ser humano.

Mas talvez os lugares possam ser humanos e os animais, plantas e objetos também, uma vez que a grande maioria dos seres humanos consegue ser menos que humano a maior parte do tempo. Mais que isso, talvez eles aspirem à humanidade que esforçamo-nos por renegar. Talvez aquela casa tenha sido, entre suas paredes caiadas de branco, mais nobre a sua maneira do que seus visitantes, dando de abrigo e reconfortando viajantes diversos sem se importar com sua origem, destino ou destinação na vida.

Quem me dera eu fosse meio-casa. Vivesse sem me importar com quem entra e sai do âmago da minha vida e ser feliz por apenas servir em minha simples e humilde existência. Ser tão incapaz de ofender alguém como qualquer objeto ordinário e ainda assim poder reconfortar os incautos. Deixar que estes andassem descalços por entre os meus aposentos no contato mais íntimo que alguém pudesse ter sempre que quisesse. Ser forte o bastante para sobreviver às intempéries sem depender de outrem e quando não pudesse mais reconfortar a ninguém simplesmente ruísse.

E pensando nisso agora, quem me dera ser um pouco menos humano para poder desejar isso sem um tom de falsidade ou arrependimento.

segunda-feira, junho 25, 2007

Sobre Penas, Medos, Doris Day e Brevidade

Tá para fazer uns 20 dias que eu não publico nada e ando meio assustado com a quantidade de coisas que eu escrevo que nunca vem parar aqui. Não estou certo dos motivos, em parte sei que fiquei mais exigente comigo mesmo e já não aceito publicar qualquer coisa que eu escreva assim sem mais nem menos.

Para falar a verdade, eu já acho que ando publicando sobre muitas coisas que me interessam, mas que não seguem o propósito original que eu tinha para esse blog: fazer experiências literárias. Ou seja, eu ando dando uma tapeada e fingindo que faço lição de casa... rs.

É lógico que como em toda boa conversa que se preze, falar sobre isso e aquilo, dar voltas sobre o que é ou o que deixa de ser, fazer uma piada ou comentar sobre o que a gente gosta, faz parte do pacote. Afinal tem que ser divertido, não é? É sobre isso que é a vida: lutar, suar a camisa, mas antes de tudo, fazer isso pelo que gostamos, pelo que amamos...

Eu só me pergunto por que a maioria de nós passa mais tempo fazendo aquilo que não gosta ou não quer e fingindo que está tudo bem. Deixando estar e a vida a passar por não querer mudar. Me pergunto quando é que os sonhos morrem? Quando é que deixamos abrir o chão entre nós e aquilo que somos, aquilo que fazemos, aqueles que gostamos? Me pergunto porque temos que ser tão inversamente proporcionais aos nossos medos?

Por que não podemos pular de pára-quedas? Por que não podemos começar de novo e fazer tudo diferente? Por que temos que parar no farol vermelho as 4:30 da madruga? Por que respeitar sempre a todas as regras? Porque não começar a merda de uma frase falando “Me pergunto” ao invés de “Pergunto-me”? Quando ninguém mais fala assim! Soa tão distante, tão artificial, tão não-nós-mesmos?

Se eu tenho um medo, é o medo de viver uma vida que não é a minha. De deixar de fazer o que vale a pena, de esquecer as coisas pequenas e tudo aquilo que dá real sentido a coisa toda. Morrer, todos vamos um dia, mais cedo ou mais tarde e não importa o quanto vivamos, nossas vidas sempre serão breves.

Então eu vou sentar aqui quietinho e tentar escrever mais um pouco, reler algumas coisas que passaram e alguns momentos que eu esperava que nunca tivessem acabado. Tentar ser um pouco mais corajoso, publicar aqueles textos que eu prometi para mim mesmo não mostrar a ninguém mais, me arriscar, agüentar as conseqüências e deixar a vida seguir seu curso. Que ela venha, breve como é. Não importa, “Que será, será”, e quando eu cair como qualquer homem mortal, nunca cairei para além de sete palmos.


Que Será, Será (Whatever Wil Be, Will Be)

“When I was just a little girl,
I asked my mother, "What will I be?
Will I be pretty?
Will I be rich?"
Here's what she said to me:
  "Que sera, sera,
Whatever will be, will be;
The future's not ours to see.
Que sera, sera,
What will be, will be."
When I was just a child in school,
I asked my teacher, "What will I try?
Should I paint pictures"
Should I sing songs?"
This was her wise reply:
  "Que sera, sera,
Whatever will be, will be;
The future's not ours to see.
Que sera, sera,
What will be, will be."
When I grew up and fell in love.
I asked my sweetheart, "What lies ahead?
Will we have rainbows
Day after day?"
Here's what my sweetheart said:
  "Que sera, sera,
Whatever will be, will be;
The future's not ours to see.
Que sera, sera,
What will be, will be."
Now I have Children of my own.
They ask their mother, "What will I be?"
Will I be handsome?
Will I be rich?"
I tell them tenderly:
  "Que sera, sera,
Whatever will be, will be;
The future's not ours to see.
Que sera, sera,
What will be, will be.
Que Sera, Sera!"

quarta-feira, abril 18, 2007

Tarantino's Mind

Não há nada como um bom roteiro... Acho que é por isso que contos e curtas tem tanto potencial.
Tarantino's Mind

Ps.: O curta não vai fazer muito sentido para quem não manja de Tarantino.

segunda-feira, abril 16, 2007

A vida muda

Para ouvir enquanto lê: Blind Guardian - The Bard's Song in the Forest

Tudo muda um dia. Você nem espera, você nem vê chegando, mas uma hora vem uma onda mais forte e tudo muda. Geralmente é quando você menos espera, é com pessoas que você adora e que até aquele momento não teve muita chance ou tempo de curtir. E quando isso acontece você fica se perguntando onde você esteve durante todo esse tempo, o que fez, porque não passou um tempo com essas pessoas, porque nunca disse a elas o quanto se importava.

Acontece, nesse pequeno e esdrúxulo instante na eternidade que chamamos de vida. Não sei vocês, eu decidi não acreditar em entidades super-poderosas que virão um dia salvar tudo ou bater nas bundas de todos que fizeram merda. Eu prefiro não fazer merda, tentar pelo menos e assumir as merdas que eu faço. Prefiro não pensar que alguém vai limpar a minha sujeira um dia. E quando decidimos esse tipo de coisa, de súbito, esse instante passa de insignificante a tudo e descobrimos o quão foda é viver.

Pois bem, agora a pouco eu acabei de passar por um desses momentos de me arrepender por não ter passado mais tempo com pessoas que eu acredito que valem muito a pena. E me sinta assim talvez porque é nesses instantes críticos que você percebe que nada é para sempre, que amanhã talvez as pessoas possam não estar mais aqui e você não sabe se irá poder vê-las de novo, que talvez você não vá estar aqui amanhã.

Eu não sei como resolver isso, só sei que agora, a única coisa que eu posso fazer é dizer nós últimos instantes que ainda temos que me importo muito e que as coisas poderiam ter sido diferentes. E esperar que por maiores que as coisas sejam, que elas não sejam tão grandes a ponto de ficarem entre as pessoas.

Bix, Mazi... Muita sorte e boa jornada.

terça-feira, março 27, 2007

Mas não é só hoje

Hoje é um daqueles dias. Um daqueles que você não terá a certeza de que queria ter saído da cama, que não saberá dizer por que e que quando muito só tem uns palpites. Um daqueles dias em que a música ajuda, mas não resolve, um daqueles em que você não queria estar aqui e também não sabe onde quer estar.



Hoje é só um daqueles dias. Um daqueles que você não sabe com quem conversar ou sobre o que falar, você só quer falar, mas não há com quem e se não falar também está bem, pois no final quaisquer palavras trocadas não farão a menor diferença. Você não quer falar para só ouvir ou para só ser ouvido.


Hoje é um dia bom para ouvir Portishead, para não conseguir se quer sentir-se incompreendido, porque as pessoas no seu mundo há muito tempo não compreendem e não dá para explicar a diferença entre o incompreensível e o incompreensível. Hoje é um dia bom para estar completamente sozinho.


É um dia em que você vai sentir-se só na multidão, vai ficar paranóico e sentir o tempo todo o peso dos olhos ao redor, vai esperar o momento em que os seus dedos secos acusatórios estendam-se em riste para te acusar por ter sentimentos inexplicáveis, pelas coisas que você ainda não fez, por não obter um daqueles sucessos inócuos ou por não ser pardo como todos os outros patos.


Hoje é só mais um daqueles dias em que as pessoas se vestem mal na rua, em que a fumaça faz arder os olhos, em que crianças trabalham, em que animais são extintos, em que as gentes se matam, e em que criaturas se erguem pisando sobre os corpos nus enquanto as moscas ficam as voltas.


Sim, é seco! É amargo, triste, ácido, cáustico, e faz com que se sinta mal porque não consigo contar de outro jeito. Assim como um ornitorrinco não consegue ser um pato, um castor, uma vaca ou qualquer outra coisa que o valha, apenas um ornitorrinco.


E se quiser me culpar por tudo isso, culpe, não sou um mártir de contos-de-fadas, sou um homem real de carne e osso, eu sangro, eu suo, eu choro, eu rio, eu penso, eu grito, eu mato, eu morro.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Excluído

Era o meio da tarde de um dia meio chuvoso no meio do verão. Não parecia verão, não parecia chuvoso e não parecia meio da tarde. Estava escurecendo como escurece antes de cair uma chuva daquelas, mas da minha janela eu via apenas a copa de uma árvore, três ou quatro pássaros voando rápido, cinco ou seis prédios e três dúzias de janelas. Não dava para ver o céu. Era o meio das férias, mas também não parecia porque as férias eram apenas escolares.

Tento imaginar algo que me tire daqui para uma situação diferente. Tento lembrar de algo, pensar em alguém, ler alguma coisa diferente só para dar um intervalo. Troco o CD, troco as músicas e nada adianta. Lá fora, a árvore balança mais e mais conforme o tempo passa, mas nada muda.

Volto ao trabalho, e um tempo depois, antes de ir embora, me volto para olhar o meu Orkut, e ler:

“Seu perfil foi excluído.

Seu perfil violou nossos Termos de Uso. Excluímos seu perfil e recomendamos que você leia nossas políticas e diretrizes de utilização antes de criar um novo perfil.”

Só isso, sem demais. E o mais triste é que eu não fiz nada de errado e está na cara que eu nunca vou descobrir o por quê disso...

Não sei o que dizer, é como cortarem um pedaço da sua vida. Scraps, testimonials, etc... perdi tudo. Não sei se vou querer ter outro desses.

domingo, dezembro 31, 2006

5 Minutos de Solidão

Talvez, muito provavelmente o último relato desse ano.

Para quem sempre sofreu de solidão, esse ano me descobri terrivelmente viciado nela. E uma inexorável verdade. Solidão vicia. Quem aprende a apreciar o silêncio adquire um vício muito difícil de largar.

Eu sempre afirmei que nós humanos somos criaturas sociais, mas a coletividade não faz sentido algum sem a singularidade. A coletividade só faz sentido quando cada uma das suas entidades singulares possui algo para trocar. É dessa troca que a coletividade se enriquece, de outro modo, a coletividade se torna apenas uma singularidade de muitos que com o tempo passam a depender uns dos outros para mal e porcamente conseguir ser um só.

A solidão é necessária para o nosso desenvolvimento. Sem ela somos incapazes de realizar atividades como a reflexão, por exemplo. Somente quando estamos a só podemos refletir sobre toda a experiência adquirida, entre outras coisas, da troca com a coletividade.

A solidão é o verdadeiro momento onde criamos coisas novas, é por isso que o início da criação é em geral atribuído a apenas um Deus.

A solidão é aquilo que, por contraste, nos permite atribuir valor a todas as coletividades, a todas as particularidades, a todas as diferenças; talvez não vivêssemos em um mundo com tantas guerras se aprendêssemos a ser mais sozinhos.

É através dos momentos de solidão que o homem aprende a aceitar melhor a si mesmo, aprende a importância de partilhar e de ter com quem partilhar. É assim que o homem pode aprende a importância do outro, aquele que para ser, por princípio, não é igual a você.

O homem tem muito que aprender sobre ser sozinho antes de aprender a conviver em sociedade. Isso é independência, respeito e responsabilidade. É por isso que para esse novo ano que começa eu desejo a mim e a todos os homens que tenham um pouco mais de solidão.

[]’s e um feliz 2007!

quinta-feira, outubro 26, 2006

Maybe I Have Found Something Blue

Eu estava lá, cercado por zilhões de letras, trilhões de palavras, milhões de frases e milhares de páginas em forma de livros. Talvez muito mais que isso, impossível contar. Ao cair da noite eu procurava algo perdido há realmente muito tempo, tanto tempo que eu não esperava mais encontrar, mas eu procurava. Aquela livraria é um lugar estranho para mim por diversos motivos, alguns muito bons, alguns ruins, mas sempre me pego voltando para lá. E lá estava eu, quando inesperadamente eu ouvi. Estava lá.

Não dá para explicar em palavras o que estava acontecendo, eu tive que sair de onde estava e ir direto para onde a música tocava. Entrei no café da livraria e não quis olhar diretamente para a banda naquele primeiro momento, bastava ouvir, era uma sensação tão boa que eu só precisava estar ali. Particularidades da música e da sensação que me provoca, sinto que de uma certa maneira isso me liga profundamente aos seus criadores. Procurei uma mesa e achei uma de canto, muito escondida e longe do palco, uma das únicas duas mesas que restavam vagas. Pedi um chá e rabisquei um pouco enquanto a lapiseira reclamava.

Foi um show curto, mas delicioso. Quando o som acabou eu paguei a conta com alguns trocados e me aproximei do palco. Ela era linda.

A beleza tem dessas coisas, uma pessoa não é só bela pela sua aparência, ela é bela pela sua alma, pela forma como trata as pessoas, como sorri quando responde com simplicidade a aquela pergunta óbvia que só você não havia percebido (quantas vezes será que ela já não fez isso?). Pois é, ela era linda, simpática como poucas vezes eu esperei que um artista o fosse.

Foi uma conversa breve, fiquei um pouco tímido (de verdade), acho que tive medo de ser meio clichê, ou de parecer um doido varrido. Foi uma conversa divertida, me fez sentir bem. Quando terminou senti que eu havia saído meio fugido (timidez novamente?). Arrependi-me por não ter agradecido.

Agora noite vai avançando e talvez ainda vá longe. A inspiração que ela me deu lentamente começou a forjar um novo quadro. Talvez o primeiro quadro que eu consiga terminar de pintar em um longo ano.


ps.: http://www.myspace.com/bluebellmusic

quinta-feira, julho 27, 2006

Fim de Férias

As férias da faculdade estão acabando e com elas vão o meu animo que custou a voltar e não voltou muito. Ando muito chateado por faltar tempo para fazer absolutamente tudo. O último semestre foi péssimo para a faculdade e de modo geral péssimo para a minha vida, não sei o que houve, mas eu consegui passar seis meses totalmente ou quase totalmente distante de praticamente todas as minha atividades normais. Nem para escrever eu tenho conseguido tempo e quando tento escrever não sai nada que presta. Ando deprimido.

***

Era inverno, mas bem que poderia ser verão. As pessoas caminhavam na rua usando roupas leves e a únicas duas coisas que faziam ponderar a estação eram os agasalhos para o ar condicionado dos escritórios (e para a noite) e a falta de chuva. A última semana de férias passava tão depressa quanto as pessoas na rua em frente ao prédio.

Uma moça de blusa verde-água e cabelos pretos virou a esquina e passou apressada em meio à multidão. Um rapaz bem alto e magro vestindo uma calça social marrom e uma camisa bege claro vinha no mesmo sentido enxugando a testa com um lenço. Um senhor de idade passava devagar por ali, um cão vadio também, coisa rara nessas paragens. Centenas de rostos surgiam para desaparecerem instantes depois na entrada de um prédio, virando uma esquina ou no meio do povo na distância. Sempre rápido, muito rápido.

Meus olhos ardiam cansados e eu imaginava o que se passava por trás de cada rosto que via ou que rumo poderia tomar a vida se eu saudasse a qualquer um daqueles rostos. Quem sabe o que poderia conhecer, quem sabe o que poderia aprender, quem sabe que lugares visitaria. Num instante dois ou três pessoas ali poderiam ter se tornado amigas, destinos poderiam ser traçados. Coisas novas poderiam acontecer. Simplesmente virei o resto e voltei para dentro do prédio, para aquele lugar estéril chamado escritório.

terça-feira, maio 30, 2006

Falta 5 para a prova! Falta 5 para a prova!

Nem sabia se era mesmo verdade, mas se ocupava em pensar que sim.
Falta 5 para a prova! Esperava inquieto, ruminando o tempo, tenso, porém calmo. Era aquela calma e tensão, velhas conhecidas, que precedem as fortes emoções. Sob o tiquetaquear do relógio, pensava que não passar naquela prova logo de primeira seria o mesmo que atestar sua inaptidão para a coisa. E pensava: “Que besteira, precisar de um papel para provar aptidão em uma coisa qualquer, como se papel provasse qualquer coisa”. Pensava, pensava, pensava... Milhares de coisas e pensamentos tortos lhe passavam pela cabeça, porque isso é só o que se pensa nessas horas. Tortuosidades, coisas que, se não são as únicas, são umas das poucas que nos ocupam.
5 minutos se passaram e mais 5 depois, carregando de 5 em 5 o ponteiro, mas em momento algum faltara 5 minutos ou menos para a dita cuja. Ele sabia disso perfeitamente, mas não queria acreditar, não havia sequer olhado para o relógio desde que adentrara a sala. Profilaxia mental, evitava pensar mais merda. Pelo menos achava que era disso que se tratava... Daquela avalanche de sensações vazias decorrentes de um dia-a-dia de cão, onde tudo possuía aquele brilho vítreo, aquela consistência de sonho e ausência de perspectiva. Um dia, talvez, ele acordaria e veria que tudo até ali não passava de um interlúdio para outra coisa. Talvez não.
Corremos tanto, o dia todo, todos os dias, atrás de tudo e de todos... No fim, não somos mais do que cães correndo atrás do próprio rabo. Uma verdadeira lástima, se é que existem outras coisas além de lástimas na vida de quem corre atrás do nada. Somos deprimentemente vazios. Até nisso.

quarta-feira, abril 12, 2006

Idéias Vadias

Pareço um louco no meu trabalho, ou ao menos assim deve achar o povo que trabalha comigo. Apesar de ser redator, como o meu trabalho é focado em textos realmente pequenos (+/- 140 caracteres), eles devem estranhar o tanto que eu escrevo. Sei que parece inconsistente o que eu vou dizer, porque tenho atualizado muito pouco a este blog (aguardem surpresas), mas eu realmente escrevo muito e o tempo todo. Aliás, feito um louco.

Eu sou daqueles que tecla com vontade, não fico martelando o teclado, mas digito com gosto, como se eu estivesse matando a fome, e, de certo modo, estou mesmo. Sou uma pessoa de reações fortes... Eu também me empolgo quando ouço música, outro hábito que cultivo na empresa.

Ouvir música para mim é algo tão intenso, tão intimo que por vezes exige que eu me controle para não deixar me envolver demais. Às vezes vejo as pessoas ouvindo música e fico me perguntando se elas sentem como eu sinto sobre a música. Se elas sentem a música envolver, se sentem aquele gosto forte na boca e a eletricidade percorre o corpo, como com quem estamos intima, elétrica e gravitacionalmente ligados.

Não sei se vocês já sentiram isso (se não sentiram, tenham os meus mais sinceros e profundos lamentos), quando ao se aproximar da garota de lábios carmim (ou do cara de cabelos curtinhos) os olhos de ambos se caçam em uma dança desesperada, incansável, frenética. Olhos nos olhos o circuito se fecha. Faz notar-se a gravidade que sempre esteve ali, segurando com força e impossível de ignorar. Arrastando e aproximando devagar, sem parar, mais e mais. Você orbita e o cheiro dela invade... Tateia cada poro e envolve com intimidade. Assusta, provoca e faz os pelos da nuca ouriçar... Calafrios. O mundo escapa ao seu redor... Vertigem... Surge a eletricidade. O ar rarefaz e seca. Fagulhas estalam violentas. Você ofega... e é difícil resistir...
É assim que eu ouço música: devorando e sendo devorado, a música me invade a alma e a minha alma invade a música. Naquele momento perfeito somos um só.

Um dia desses algum político ainda há de proibir a intimidade com a aprovação das massas... Dirá: “A partir de hoje está banida a intimidade desta digníssima república, toques, escritos, musicas, falas, pensamentos e tudo o mais”. Militantes já abundam, remoendo seus pequenos rancores rançosos e alistando outros a cada dia. Sei lá, já nem me lembro do que eu falava ou onde queria chegar... é tarde, melhor desligar o som, deixar de lado meus devaneios e voltar para casa.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Atum é assim, você só comenta quando pesca um dos grandes e não quer que ninguém fique criticando o tamanho do seu.

Quero quebrar este silêncio, dizia eu a mim mesmo, contrariado pela falta de idéias como quem reclama por comprar uma lata de atum sem ter um abridor de latas. Coisas de louco: latas vendidas sem o abridor e pessoas que conversam sozinhas, mas embora eu converse sozinho, isso já é outra história. Neste exato momento a falta de idéias ou a falta de intimidade comigo mesmo talvez sejam o ponto.

Voltando a vaca fria, quer dizer, ao atum neste caso, isso me faz lembrar da história dos tiozinhos famintos lá no agreste que ganharam comida através de uma campanha de caridade e receberam várias coisas legais, como latas de atum, ervilha e óleo para cozinhar, porém havia um pequeno detalhe, eles não tinham com o que abri-las. Não gosto nem de imaginar o pobre povo faminto olhando a foto do peixe a devolver o olhar em esgar e as bocas todas salivando.

Pensar tem, de fato, muito a ver com atum, assim como as atividades que cercam o atum, quer dizer, o pensar em geral. Pensar é como cozinhar Atum, você põe o atum na panela, deixa ele lá rolando no vapor, joga um tempero ou outro para acentuar o gosto e mexe de quando em vez para não queimar embaixo. Escrever é como tirar o atum da lata, se você usa um abridor fica fácil, de outro modo você corre o risco de o atum não sair muito aproveitável. Revisar o texto de alguém é como limpar o atum, não é difícil e se parece um pouco com escrever. Tem quem goste mais e tem quem não goste, indiferentemente, a maioria dos autores age como se você estivesse limpando o peixe deles com um abridor de latas quando você sugere uma leve mudança. Atum é assim, você só comenta quando pesca um dos grandes e não quer que ninguém fique criticando o tamanho do seu.

Ando com uma sensação estranha, uma espécie de frio na barriga ou coisa do gênero, como se eu estivesse ouvindo alguns barulhos estranhos, assustadores e pouco reconhecíveis... 13:31, me esqueci de almoçar, será que eu encontro uma lata de atum por aí?

quinta-feira, junho 30, 2005

Análise político-sintática

Eu gostaria que isso não parecesse um conto, até porque eu sei que em pouco tempo é o que vai parecer. Mas creio que não há muito que eu possa fazer à respeito. Peço que todos os atores, autores, teatrólogos e afins me perdoem, mas quando assisto uma notícia sobre política no jornal tenho a verdadeira impressão de estar no teatro. Eu sei que é injusto dizer isso, o teatro realmente não merece a comparação com algo tão vil quanto à política, mas é que de novela o povo gosta e talvez, por isso, de política também. Talvez seja pela onipotência da trama, dos personagens... Eu realmente não entendo, mas também não me preocupo, sei que o povo está bem representado no parlamento! Temos lá deputados que passam fome, senadores que moram em favelas, legisladores que vivem de salário mínimo e cujos filhos menores trabalham em carvoarias no cerrado, temos também larápios e mentirosos. Quem não mente não é mesmo? E para os casos explicitamente destoantes não há nada que uma renúncia não corrija... Enfim, deixemos de lado as ovações quanto há ocupação tão nobre e vamos ao conto! Digo ao caso!

Estava eu tranqüilamente almoçando e assistindo ao jornal, um dia desses na semana passada e veio a estarrecedora notícia: O site do partido do presidente (que todos sabemos trata-se de uma organização pública e governamental) acusava a oposição de golpista. Estava armado o escândalo, a mídia logo começou a apurar aos fatos e a entrevistar alarmados representantes dos partidos de oposição no planalto. O primeiro representante logo disse: “É sabido que nosso partido nunca participou do golpe neste país, para tanto, basta apenas observar a história. Sempre fomos contra o golpe!”. O representante do segundo partido logo esbravejou: “Não sabemos de golpe nenhum, se o governo afirma que somos golpistas o governo deve mostrar as provas!”. O representante do terceiro partido pronunciou-se com toda a autoridade: “Golpe? Queremos saber a qual golpe que o governo se refere! O governo precisa dizer de qual golpe está falando”.
Sabe, na qualidade de estudante de língua portuguesa me reservo o direito de continuar odiando sintaxe, mas eu ainda adoro a parte sobre as ambigüidades!