terça-feira, janeiro 13, 2009
Reflexões sobre o Tempo
Quando olhamos já não vemos o que nos é presente;
Tentamos segurar mesmo quando não podemos;
Deixamos nos levar quando já não mais queremos;
Ao ver o tempo a passar e nos deixar o esquecimento,
do que somos, do que rimos, do que choramos, do que vimos...
Escrevemos para abraçar aquilo o que nós somos
e pranteamos ao perceber o quanto nossos braços são curtos.
terça-feira, janeiro 06, 2009
Se calo, escrevo
Se escrevo, apago
Se apago, esqueço
Se esqueço, choro
Se choro, desejo
Se desejo, espero
Se espero, entristeço
Se entristeço, paro
E se paro, enlouqueço.
***
Para Luana com carinho.
Válvula Literária
terça-feira, setembro 23, 2008
Cadafalso
Com rosnados e roncos ensurdecedores a rua trata os passantes rispidamente.
A cova aguarda.
Força um transe hipnótico em que ninguém vê ninguém, só ouve aos barulhos e respira o cheiro fétido da cidade, de suas velhas galerias, hidrocarbonetos e esgoto à vista de estabelecimentos pútridos.
A cova aguarda.
Em algum lugar do outro lado da cidade ela aguarda, sinistra, silenciosa, funesta. E eu aqui, em um lapso de consciência oriundo das mais misteriosas manifestações da vida, batatas e leveduras. Minhas batatas, minhas leveduras, outras vidas e a minha não-vida. Enquanto a minha vida... A cova aguarda pronta para me devorar a cada dia mais. Mas mal sabe ela que já me tem por inteiro! Que estou morto sabe lá desde quando e que se ainda existo é porque apenas ando e moribundo, mórbido, maltrapilho, habito a casca vazia de mim mesmo.
Ocasionalmente acordo e enxergo através de meus próprios olhos em um instante único de lucidez quando à noite a Lua envolve as minhas entranhas com carícias. Ou quando às vezes sinto um pálido raio de sol invernal o qual ao passar me retorna ao cadafalso, como agora que o lusco-fusco foi-se, o frio é implacável, as batatas jazem gélidas no prato e a consciência luta contra a imobilidade.
O copo rapidamente seca enquanto rabisco as últimas linhas entre goles. O corpo reluta.
A cova aguarda seu momento triunfal.
E eu espero pelo último frio do inverno.
quarta-feira, julho 16, 2008
Bons Tempos
Ela me disse que eu precisava fazer aquilo que dizia para ela: “Você precisa criar o hábito”. E eu disse que antigamente eu tinha hábitos quando eu estava deprimido. Hoje não tenho hábitos quando estou deprimido e nem quando não estou.
O único hábito que eu não perdi foi o de reclamar que não consigo mais escrever, pareço uma daquelas velhas mal-comidas que olham tudo da janela para praguejar depois o dia inteiro. Só que velhas mal-comidas são mal-comidas e eu sou bem-comido quando estou deprimido e quando não estou também.
Mas se tem uma coisa que não mudou nem um pouco é que antigamente eu não sabia terminar os meus textos quando estava deprimido e hoje não sei terminar os meus textos quando estou deprimido e nem quando não estou.
terça-feira, maio 27, 2008
Incertezas
quinta-feira, março 06, 2008
Para Gary Gygax
Gary Gygax 1938 - 2004
ps.: Gary Gygax, "pai do D&D", morre aos 69 - Underwire.
segunda-feira, março 03, 2008
Tudo Sobre Eu ou Você
Sobre aquilo que está além da íris, oculto por camadas de pele, carne, ossos, sentimentos e pensamentos?
Ou cantar as gestas de uma existência que gostaria de significar algo além de sua mera essência?
Alguma vez você já fez algo tão significativo que o bem gerado a partir de suas ações redimisse a culpa de uma existência desperdiçada?
sábado, março 01, 2008
Equilíbrio, Razão e Sentimento
Um velho sentimento bate à porta, não tenho vontade de falar com ninguém ou comer, como ocorre tão freqüentemente em dias frios e chuvosos que também podem ser quentes e secos. Sinto raiva de mim, porque a explicação para a raiva não me escapa tão fácil quanto à explicação para aquilo que sinto. Às vezes a lógica é o cianureto dos sentimentos, às vezes o contrário.
Sigo a rotina. Levanto-me, me visto, me lavo e nem sei que dia é hoje. Mastigo um belo doce de goiaba caseiro (que é a sensação do momento para aqueles que ainda sentem o gosto) perseguindo algum sentimento com a vontade de quem se agarra à vida que lhe escapa. Eu faria inveja a uma anêmona se anêmonas sentissem inveja. Converso pouco e as minhas palavras se atiram vazias para as pessoas sem talvez passarem despercebidas.
E assim que tenho a oportunidade eu me sento e escrevo. Espremo todo o significado que tenho dentro de mim para uma folha de papel, me sufocando mais a cada palavra que escrevo com a minha inevitável dificuldade em equilibrar razão e sentimento. Meu corpo estremece e se curva com o esforço para o papel, as letras diminuem e se entortam. Subitamente o telefone toca e me interrompe com um grande susto. O coração pulsa rápido e com força, os pensamentos anuviam-se, a mão se recusa a obedecer e impõe ao papel os seus próprios pensamentos. O corpo trai, cede. Troco letras, troco palavras, nublo tudo com olhos que se fecham colocando o mundo que não entendo em uma perspectiva bizarra, o mundo cão que ensurdece e colapsa e então quando o vejo amanhece mais uma vez.
terça-feira, janeiro 15, 2008
Mooo??? A primeira estampa do ano
terça-feira, dezembro 18, 2007
quarta-feira, novembro 28, 2007
Mario ou não Mario? Eis a Questão.
A foto do Banner e a polêmica: Será que é o Mario?
A moda agora é colorir todo brasileiro proeminente, como se a cútis de alguém fosse fator determinante de capacidade ou inteligência, Hitler explica. Será que é por isso que é chamado de "mês da consciência negra"?
terça-feira, novembro 20, 2007
Nota Sobre Lavagens à Seco
terça-feira, outubro 23, 2007
Meio-Casa
Mas talvez os lugares possam ser humanos e os animais, plantas e objetos também, uma vez que a grande maioria dos seres humanos consegue ser menos que humano a maior parte do tempo. Mais que isso, talvez eles aspirem à humanidade que esforçamo-nos por renegar. Talvez aquela casa tenha sido, entre suas paredes caiadas de branco, mais nobre a sua maneira do que seus visitantes, dando de abrigo e reconfortando viajantes diversos sem se importar com sua origem, destino ou destinação na vida.
Quem me dera eu fosse meio-casa. Vivesse sem me importar com quem entra e sai do âmago da minha vida e ser feliz por apenas servir em minha simples e humilde existência. Ser tão incapaz de ofender alguém como qualquer objeto ordinário e ainda assim poder reconfortar os incautos. Deixar que estes andassem descalços por entre os meus aposentos no contato mais íntimo que alguém pudesse ter sempre que quisesse. Ser forte o bastante para sobreviver às intempéries sem depender de outrem e quando não pudesse mais reconfortar a ninguém simplesmente ruísse.
E pensando nisso agora, quem me dera ser um pouco menos humano para poder desejar isso sem um tom de falsidade ou arrependimento.
segunda-feira, setembro 24, 2007
sábado, setembro 22, 2007
terça-feira, setembro 11, 2007
sexta-feira, setembro 07, 2007
Design de Camiseta: Dancer
terça-feira, julho 31, 2007
Faculdade à Tarde
Aliás, eu fui totalmente no clima de colégio, usando um all stars novo, com aquela mesma sensação de estranheza por pisar com um tênis baixo e sentir a palmilha de pano gelada do frio escorregando de forma esquisita por baixo do pé (é, fazia também uns 17 anos que eu não usava um tênis assim).
Cheguei na USP em cima da hora e ainda demorei para localizar a sala, mas ainda assim cheguei antes do professor e mesmo dos alunos. Estes eram quase totalmente diferentes do que eu imaginava que iria encontrar, tanto em número quanto em aparência e idade, o que só contribuiu para aumentar a sensação de estranhamento. Mas estranhamento por estranhamento eu sempre fui muito bom em me sentir deslocado. Coisas de Nerds.
Depois de seis anos estudando literatura eu não me lembrava mais da sensação de novidade quando entrava em uma sala de aula. Acho que inconscientemente esperava que em algum momento o professor de História da Arte do Brasil II dissesse quanto às influências que levaram ao modernismo na arte brasileira fossem culpa do romantismo. E para a minha surpresa a citação mais próxima da literatura foi sobre Mario de Andrade, como principal crítico de arte da época, é claro...
Mas estranhamentos a parte foi muito bom. E eu saí de lá pensando no que uma amiga disse sobre termos uma certa idade para fazer aquilo que realmente queremos e não o que nossos pais ou ouras pessoas nos empurram goela abaixo.
sexta-feira, julho 20, 2007
Feliz Dia do Amigo!
Para todos vocês que me lêem um feliz dia do amigo. E para que vocês entrem no espírito vou deixar aqui um link para um vídeo que não deu para postar por causa da censura aqui no escritório (eu sei, eu sei, eu trabalho com Social Media Optimization e adoro citar o Cluetrain Manifesto para os clientes, mas os meus chefes proibiram as atividades sociais na rede do escritório).
quinta-feira, julho 19, 2007
Fé no 3054
Como todo mal brasileiro, eu já perdi a fé no Brasil faz tempo. Veja bem, digo mal brasileiro porque as pessoas gostam de atribuir a fé ao currículo de bom brasileiro e eu pessoalmente acredito que a fé só serve para se eximir da culpa.
Acontece que é muito fácil sentar a bunda e pedir para que não chova, o difícil é fechar um aeroporto para realizar uma manutenção decente só porque alguém vai perder dinheiro e os usuários vão reclamar. E assim se bota preço duas vezes nas vidas alheias, uma quando não se quis fazer bem feito e a outra quando rolar a indenização à família das vítimas do vôo 3054.
Mas o que quero ver mesmo é quanto tempo vai demorar até jogarem a culpa no pobre do piloto, porque o que ninguém nunca vai ouvir será o governo pedindo desculpas por liberar a pista mesmo sem o “grooving” ou por tentar acabar com as filas nos aeroportos ao invés de investir na infra-estrutura aeroportuária, que como ninguém vê, não rende votos e como não rende votos...
Só tendo fé mesmo para agüentar a falta de competência dos nossos políticos, que se bobear estão fazendo uma "fézinha" no 3054 enquanto nós pasmamos indignados...