quinta-feira, março 15, 2007

Um Dia de Curso

8:40 – 9:02

É bem cedo. O clima tipicamente tropical não nega a raça e manda ver em mais um dia quente e abafado. Eu tive que acordar cedo e viajar até um bairro distante para fazer um daqueles cursos ótimos para empresas e currículos, embora eu não esteja bem certo de que ele será tão interessante quanto útil.

Uma senhora introduz as palestras balançando freneticamente a cabeça enquanto fala, é bizarro. Os participantes ao meu redor vestem-se como se precisassem muito sentirem-se importantes. Nem parece que o palestrante a minha frente fala de Internet. Sim, esse mundo já foi mais “cool”, eu quase lamento o dia em que internet deixou de ser coisa de nerds.


11:07 - 11:14

A primeira coisa peculiar sobre o mundo da publicidade é que é um mundo pequeno, minúsculo para falar a verdade. É como se todas as pessoas no mercado coubessem em uma edícula. O que torna ainda mais peculiar a segunda coisa sobre ele: o excessivo culto a personalidade.

A coisa mais comum desse mundo é entrar em uma roda de bate-papo e escutar algo assim:

“...e então você não acredita, conheci o Tadeu Sbrubles”

“Sério??? O Tadeu?! Nooossa! Que máximo, o Tadeu é incrível!”

Mas quem diabos é o tal do Tadeu... bom isso é um mistério para muito poucos iniciados, aliás, eu não me surpreenderia se em uma roda com 6 pessoas menos de um terço atualmente soubesse quem é o tal do Tadeu.


12:30 – 14:00

Finalmente veio o almoço, a segunda palestra já estava perdendo a graça, o restaurante é bem legal e nós temos um mesanino reservado. O punk é escolher aonde sentar, uma escolha errada e qualquer chance de ter um almoço agradável pode dar lugar a monólogos chatos, inquéritos desconfortáveis e debates intermináveis.

As pessoas que eu conhecia resolveram me evitar descaradamente e sem nenhum constrangimento, o preço que se paga quando acaba o assunto durante o primeiro coffe break (ta, talvez só eu não soubesse quem é o tal do Tadeu, talvez eu esteja levando a sério demais o meu trabalho dentro desse “clubinho” que é a publicidade).

Dei sorte, acabei sendo abordado por um japonês interessado no meu trabalho e um povo simpático (felizmente nem todo mundo confunde um curso na Vila Olímpia com um casamento).


14:06

O medo geral básico pós-almoço é dormir barulhentamente, porque dormir em uma sala quente onde um palestrante vomita toda a sorte de dado técnico sobre a platéia todo mundo dorme.


15:32

Outro coffe break. Não agüento mais comer. Acho que daqui a pouco alguém vai entrar com maçãs e cordas e levar todo mundo para o forno.


18:30

Ufa, acabou, a última palestra foi sensacional, mas eu não consegui escapar da sala sem enfrentar um pequeno debate com uma garota que pensa que é madrinha da noiva. Bonitinha, mas tão cabeça-dura...

Eu só queria descobrir se estou ficando anti-social ou se eu estava muito fora d’água. O problema dos nerds é que eles não podem ver uma mulher bonita pedindo para entrar na festa que eles já perdem a cabeça, e foi assim que a Internet foi tomada de assalto por pessoas com mais batom do que cérebro.

Agora finalmente posso me preocupar com algo mais importante: Comprar ingressos para o show do Blind Guardian.

quinta-feira, março 08, 2007

Publicidade no Orkut

Que ia acontecer todo mundo já sabia, mas quando eram outros quinhentos. Pois é, agora é oficial, o Orkut.com agora faz parte da rede de publicidade do Google.

A notícia foi publicada no blog sobre Search Engine Marketing Hotileros.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Problemas do Ensino na Faculdade de Letras

O problema do aluno que termina o ensino médio e escolhe sua graduação "jogando dados" é universal. O ensino médio joga um monte de informações na cabeça do indivíduo que mais confundem que preparam o estudante para tomar o próximo passo.

Além disso, a faculdade no Brasil tem caminhado cada vez mais para um sucateamento por razões mercadológicas. O indivíduo quer fazer uma faculdade não para aprender, mas para ter menos dificuldade em conseguir um emprego.

O resultado é o ingresso de uma multidão de alunos preparados para uma prova de vestibular e despreparados para o conhecimento acadêmico. O que conseqüentemente vem provocando um “afrouxamento” dos requisitos necessários para que o universitário consiga o diploma.

O caso da faculdade de Letras é grave, o aluno chega ao curso sem saber qual a sua real utilidade e com a expectativa de um curso fácil (um engano comum gerado pelo preconceito contra as carreiras de humanas). E lá se depara com um conhecimento complexo e extenso, ministrado através de um método que ignora as aptidões do aluno e que se quer prepara-o para exercer adequadamente o cargo de professor, quanto mais à miríade de carreiras que poderia.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

É por isso que eu amo o Neil...

E existe algo mais amável do que bons escritores? Eu até fazia parte da comunidade "Good Wrighting is Sexy" antes do Orkut me banir permanentemente. Se ele fosse mulher talvez eu até me casasse com ele.

Então, sem mais delongas, divirtam-se com Neil Gaiman & His Magnificent Oracular Journal


Ps.: This note is for Neil himself, if someday he reads me:

Neil,
Yes I do love your writings and I wold love to marry you if one of us was a woman...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Matrix: Baixo Orçamento

Refilmagem da cena "rooftop sequence" por alunos da USP:
MATRIX: BAIXO ORÇAMENTO

*Nota mental, escolher um curso de graduação mais divertido da próxima vez...

sábado, fevereiro 10, 2007

"A Juventude é uma Banda numa Propaganda de Refrigerantes"

A juventude é uma coisa incrível, faz do nosso mundo um lugar divertido e da nossa vida uma aventura. Somos impetuosos, espirituosos, aventureiros, divertidos, sinceros... enfim, jovens! São tantas coisas novas e, ao mesmo tempo, é sempre como se o mundo fosse acabar no próximo instante. Pena que passa tão rápido.

Pessoalmente, não me arrependo de quem eu sou agora e acredito que eu não trocaria o que eu tenho para poder viver isso novamente (isso é porque eu não sou mais adolescente, senão com certeza o faria... rs). É só que...

Sei lá... nostalgia.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Gata depressiva recebe tratamento com Prozac - 30/01/2007

Nada contra a gata, mas eu juro que conferi para ver se estava mesmo na página de ciências. Dá para botar uma fé? Será tudo isso falta do que noticiar? Não entendo porque o jornalismo online é tão água com açúcar.

Gata depressiva recebe tratamento com Prozac - 30/01/2007

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Excluído

Era o meio da tarde de um dia meio chuvoso no meio do verão. Não parecia verão, não parecia chuvoso e não parecia meio da tarde. Estava escurecendo como escurece antes de cair uma chuva daquelas, mas da minha janela eu via apenas a copa de uma árvore, três ou quatro pássaros voando rápido, cinco ou seis prédios e três dúzias de janelas. Não dava para ver o céu. Era o meio das férias, mas também não parecia porque as férias eram apenas escolares.

Tento imaginar algo que me tire daqui para uma situação diferente. Tento lembrar de algo, pensar em alguém, ler alguma coisa diferente só para dar um intervalo. Troco o CD, troco as músicas e nada adianta. Lá fora, a árvore balança mais e mais conforme o tempo passa, mas nada muda.

Volto ao trabalho, e um tempo depois, antes de ir embora, me volto para olhar o meu Orkut, e ler:

“Seu perfil foi excluído.

Seu perfil violou nossos Termos de Uso. Excluímos seu perfil e recomendamos que você leia nossas políticas e diretrizes de utilização antes de criar um novo perfil.”

Só isso, sem demais. E o mais triste é que eu não fiz nada de errado e está na cara que eu nunca vou descobrir o por quê disso...

Não sei o que dizer, é como cortarem um pedaço da sua vida. Scraps, testimonials, etc... perdi tudo. Não sei se vou querer ter outro desses.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Palavra Bizarra da Semana: Parafilia

Vira e mexe me deparo com uma dessas palavras loucas como esta:
Parafilia.

Acho que essa é a parte divertida do meu trabalho.

Nesse caso em especial, o que achei curioso mesmo são os verbetes que partem desse, tente alguns. Quer um exemplo?
Nesofilia.
e esse outro aqui é para colocar os homens para pensar:
Orquifilia.

Divirtam-se!

segunda-feira, janeiro 08, 2007

domingo, dezembro 31, 2006

5 Minutos de Solidão

Talvez, muito provavelmente o último relato desse ano.

Para quem sempre sofreu de solidão, esse ano me descobri terrivelmente viciado nela. E uma inexorável verdade. Solidão vicia. Quem aprende a apreciar o silêncio adquire um vício muito difícil de largar.

Eu sempre afirmei que nós humanos somos criaturas sociais, mas a coletividade não faz sentido algum sem a singularidade. A coletividade só faz sentido quando cada uma das suas entidades singulares possui algo para trocar. É dessa troca que a coletividade se enriquece, de outro modo, a coletividade se torna apenas uma singularidade de muitos que com o tempo passam a depender uns dos outros para mal e porcamente conseguir ser um só.

A solidão é necessária para o nosso desenvolvimento. Sem ela somos incapazes de realizar atividades como a reflexão, por exemplo. Somente quando estamos a só podemos refletir sobre toda a experiência adquirida, entre outras coisas, da troca com a coletividade.

A solidão é o verdadeiro momento onde criamos coisas novas, é por isso que o início da criação é em geral atribuído a apenas um Deus.

A solidão é aquilo que, por contraste, nos permite atribuir valor a todas as coletividades, a todas as particularidades, a todas as diferenças; talvez não vivêssemos em um mundo com tantas guerras se aprendêssemos a ser mais sozinhos.

É através dos momentos de solidão que o homem aprende a aceitar melhor a si mesmo, aprende a importância de partilhar e de ter com quem partilhar. É assim que o homem pode aprende a importância do outro, aquele que para ser, por princípio, não é igual a você.

O homem tem muito que aprender sobre ser sozinho antes de aprender a conviver em sociedade. Isso é independência, respeito e responsabilidade. É por isso que para esse novo ano que começa eu desejo a mim e a todos os homens que tenham um pouco mais de solidão.

[]’s e um feliz 2007!

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Papai Noel é Mulher, Tem 45 Anos e uma Peixeira

Depois da última facada que os dePUTAdos desferiram no povo tinha quem houvesse desacreditado em papai-noel e em justiça poética. Proposital ou não, a vingança veio com ares de presente de natal, por isso eu reafirmo:
Papai Noel é mulher, tem 45 anos e uma peixeira.

Como disse o poeta: “Declare guerra a quem finge te amar”. Se a moda pega, pouca gente iria achar ruim.

Ps.: "Mamãe Noel" afirma que foi pelo reajuste.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Tabacaria (poema)

Tem dias que não dá para dizer como a gente se sente. pelo menos não tão bem quanto outros.

Tabacaria - Álvaro de Campos

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas —
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas —,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma sem
Porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates coma mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê —
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como
Tabuletas
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Folha Online: Blogueiros riem por último e invadem "show business" - 11/04/2006

Essa é uma matéria interessante, sobre o poder de comunicação dos blogs: Folha Online: Blogueiros riem por último e invadem "show business" - 11/04/2006.

Eu só discordo da parte que diz que os blogs devem cair frente ao podcast e ao videocast. É o mesmo que dizer que as pessoas deixaram de ler quando criaram o rádio e, posteriormente, a televisão. Sem contar que os blogs são extremamente compatíveis com os outros dois formatos.

E você? O que acha?

You are the Sun


You are The Sun


Happiness, Content, Joy.


The meanings for the Sun are fairly simple and consistent.


Young, healthy, new, fresh. The brain is working, things that were muddled come clear, everything falls into place, and everything seems to go your way.


The Sun is ruled by the Sun, of course. This is the light that comes after the long dark night, Apollo to the Moon's Diana. A positive card, it promises you your day in the sun. Glory, gain, triumph, pleasure, truth, success. As the moon symbolized inspiration from the unconscious, from dreams, this card symbolizes discoveries made fully consciousness and wide awake. You have an understanding and enjoyment of science and math, beautifully constructed music, carefully reasoned philosophy. It is a card of intellect, clarity of mind, and feelings of youthful energy.


What Tarot Card are You?
Take the Test to Find Out.

quinta-feira, novembro 30, 2006

sexta-feira, novembro 24, 2006

Já deu sua cambalhota hoje?

Cambalhota
Substantivo feminino;

1 - volta que se dá com o corpo de cabeça para baixo;
2 - reviravolta;
3 - trambolhão;
4 - tombo;

Mais do que uma simples pirueta, a cambalhota é uma comemoração, pode mostrar alegria e arrancar risos, pode deixar alguém muito feliz, mesmo que esse alguém seja só você.

Venha você também dar risadas e fazer os outros rirem. É por uma boa causa e você ainda pode aproveitar para descontrair com os seus camaradas de trabalho e rir de você mesmo, uma das melhores coisas que você pode fazer por você!

Aproveite e guarde esse momento para posteridade! Nossas amigas Juliana e Michele (batista.juliana@gmail.com) estão fazendo um trabalho de marketing viral para a faculdade e hoje é o último dia em que elas estarão filmando cambalhotas. Participe! De quebra você também pode se tornar uma estrela!


Veja esses depoimentos de gente muito famosa!


Mikail Barishnicov: “A Cambalhota é o ato de expressão perfeito!”

Valderrama: “No começo o difícil era não me embolar no meu cabelo, depois peguei o jeito.”

Marcus Valério: “Cambalhota? Claro! É o que eu mais dou com os deputados!”

Pablo: “Foi legal! Gostei!”

Michael Moore: “Eu dou várias, mas gosto mais de ver as do meu amigo Bush.”

Bush: “Ca-ca-m-balota? Sorry, No Compreendo...”

Fábio: “Ehhhhhh mano... Sohhhhh!”

Silvio Santos: “Aai-hi-hi... Não perca! Hoje na seção das dez, o filme ‘cambalhotas’, eu assisti e é muito bom! E amanhã, não perca a estréia o programa ‘Cambalhotando’!”

quinta-feira, novembro 16, 2006

Fim de Tarde

Ele saiu bem diferente de como eu o imaginei, ficou legal, então vou publicar e acho que vou tentar escrever outro seguindo a idéia original. Até lá, divirtam-se:

***

Fim de Tarde


A sensação de estar mentalmente distante do lugar onde se está fisicamente é uma velha-conhecida. Onde eu estava, de verdade, não sei? Onde estava? Parado no metrô.

A bela garota passava em um vestido bordô. Combinando desde as unhas até o sapato com os mais deliciosos tons de vermelho. Seus cachos perfeitamente castanhos destacavam os fones brancos do iPod e emolduravam o rosto pálido onde brilhavam olhos do mais puro azul-turquesa.

Ela se senta e eu assisto como um garoto na multidão. A curiosidade me devora. Quero saber o que ela está escutando enquanto sorri e batuca animadamente com as unhas na superfície do iPod. Seu sorriso é gracioso, um daqueles sorrisos que se dá quando ninguém está olhando, ou quando se está distraído demais para pensar nisso. Em deleite eu observo.

Mas no mundo real o telefone toca, borra a imagem e revela o escritório. Todo mundo ao redor olha enquanto brigo com a pequena concha cinzenta para silenciar o seu toque. Converso rapidamente e me dirijo para o recinto mais branco e diminuto que alguém ousou chamar de copa. na seqüência desligo o telefone e volto a minha mesa para me concentrar.

Só que alguém ralha com alguém, alguém contra argumenta e outro alguém cantarola do outro lado da sala. Eu respiro fundo, finjo ignorar tudo enquanto ar gélido me açoita saindo do maldito ar-condicionado. É tão difícil voltar a me concentrar! O relógio do computador ainda errado assiste a tudo e o do celular denuncia: falta dez minutos para o final do expediente. Fico indeciso se salvo ou não o arquivo e me lembro da pasta com dezenas de textos inacabados que apaguei recentemente.

Visto a minha jaqueta vermelha, desligo o computador e atravesso a sala tentando não levantar suspeitas ou revelar a minha felicidade. Passo o cartão no relógio de ponto que apita com o elevador. Corro para a porta quase inutilmente e alguém segura o elevador pouco antes que fechasse.

Agradeço automaticamente antes de erguer os olhos do chão e ver o rosto conhecido cujo sorriso eu só imaginei em sonhos. Abro meus lábios assustado em um reflexo sem, no entanto, emitir som e, enquanto a porta do elevador se fecha, ela diz: “Era Modern Love, do Bowie”.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Um Dia Arrastado

Desde que o meu computador de trabalho resolveu entrar em horário de verão eu tenho tudo menos um relógio no computador, o que só contribui para o meu tédio em acreditar que é uma hora quando é outra.

Fiquei pensando: Se eu pudesse estar em algum lugar outro que não este onde estou agora, eu poderia estar em um texto? Essa idéia causa certa estranheza, mas não a mim que busco ser tão sincero para com as minhas palavras. Eu sinto isso, estou sentindo agora de forma muito real. Afinal, quem nunca sonhou estar em um quadro ou uma foto? Ou ainda em qualquer lugar que não fosse a sua própria realidade?

Esse talvez seja um dos aspectos do sonho que nos fazem seguir em frente: A esperança. Esperança de um dia fugir a uma realidade insípida, inerte, inodora.

Mas para mim a pergunta ainda permanece: Será que são mesmo as pessoas que contaminam com a sua amargura os meus sonhos ou sou apenas eu quem não se permite ir atrás dos próprios sonhos?