sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Reflexões Sobre a Natureza Envasada

Era uma tarde quente e úmida de final de ano no “agreste universitário”. Não bastasse o calor abrasador, eu sentia uma bela de uma fome numa época em que não é aconselhável sentir fome depois que o bandejão já fechou.

Saio para tentar um lanche e procuro incessantemente algum lugar que esteja aberto. Corro para lá, corro para cá e com um pouco de sorte encontro uma cantina fechando antes de considerar a caça uma opção mais viável. Dou uma olhada (bem) rápida entre as diversas (leia-se: duas) opções do menu e agradeço por não existirem cantinas estatais. Escolho o croissant de quatro queijos com o medo e a certeza de descobrir que os quatro queijos inclusos são o queijo ralado, o queijo fatiado, o queijo em pedaços e o queijo em filetes. E para completar peço um suco de laranja de lata.

A senhora dona da cantina me atende com tamanha boa vontade que me sinto culpado por sentir fome. Alguma coisa me diz que ela não sabe que não é funcionária pública, provavelmente a mesma coisa que me diz que ela não vai acreditar se eu a disser. Pego a comida, procuro por uma mesa na sombra, sento, como e num ímpeto de curiosidade leio (sic):

“Ingredientes: Água, suco concentrado de laranja, açúcar, antioxidante ácido ascórbico e aroma natural de laranja. Pasteurizado. Não contém glúten.”

A grande laranja desenhada no rótulo me observa desconfiada. Releio tudo assustado e confuso. O aroma natural de laranja não deveria ser parte integral do suco concentrado de laranja? Se este suco tem aroma natural de laranja quer dizer que outros sucos naturais de laranja podem ter aroma artificial?

Desconfiança é assim, depois que nós encontramos um motivo qualquer para duvidar de algo tudo o mais se torna inquietante. Até quando leio que: “Esta lata contém em média o suco de 5 laranjas” fico me perguntando porque não encontrei a palavra “naturais” após “laranjas”. Será que a única coisa natural do meu suco é o aroma?

Acho que esse é mais um daqueles mistérios como a água mineral natural gaseificada, que em 90% dos casos esconde em algum canto da embalagem uma menção sorrateira em uma fonte pequena e borrada com os dizeres: “gaseificada artificialmente”. Foi-se o tempo em que quando alguém somava uma coisa artificial a uma coisa natural esta pessoa tinha a decência de chamar o subproduto de artificial também. Devo então supor que o meu computador também é natural, já que é feito de silício, ouro, alumínio e outros materiais encontrados na natureza?

terça-feira, janeiro 13, 2009

Reflexões sobre o Tempo

O tempo em sua fúria passa imperiosamente;
Quando olhamos já não vemos o que nos é presente;

Tentamos segurar mesmo quando não podemos;
Deixamos nos levar quando já não mais queremos;

Ao ver o tempo a passar e nos deixar o esquecimento,
do que somos, do que rimos, do que choramos, do que vimos...

Escrevemos para abraçar aquilo o que nós somos
e pranteamos ao perceber o quanto nossos braços são curtos.

terça-feira, janeiro 06, 2009

Se falo, calo
Se calo, escrevo

Se escrevo, apago
Se apago, esqueço

Se esqueço, choro
Se choro, desejo

Se desejo, espero
Se espero, entristeço

Se entristeço, paro
E se paro, enlouqueço.


***
Para Luana com carinho.
Válvula Literária

terça-feira, setembro 23, 2008

Cadafalso

A cova aguarda.

Com rosnados e roncos ensurdecedores a rua trata os passantes rispidamente.

A cova aguarda.

Força um transe hipnótico em que ninguém vê ninguém, só ouve aos barulhos e respira o cheiro fétido da cidade, de suas velhas galerias, hidrocarbonetos e esgoto à vista de estabelecimentos pútridos.

A cova aguarda.

Em algum lugar do outro lado da cidade ela aguarda, sinistra, silenciosa, funesta. E eu aqui, em um lapso de consciência oriundo das mais misteriosas manifestações da vida, batatas e leveduras. Minhas batatas, minhas leveduras, outras vidas e a minha não-vida. Enquanto a minha vida... A cova aguarda pronta para me devorar a cada dia mais. Mas mal sabe ela que já me tem por inteiro! Que estou morto sabe lá desde quando e que se ainda existo é porque apenas ando e moribundo, mórbido, maltrapilho, habito a casca vazia de mim mesmo.

Ocasionalmente acordo e enxergo através de meus próprios olhos em um instante único de lucidez quando à noite a Lua envolve as minhas entranhas com carícias. Ou quando às vezes sinto um pálido raio de sol invernal o qual ao passar me retorna ao cadafalso, como agora que o lusco-fusco foi-se, o frio é implacável, as batatas jazem gélidas no prato e a consciência luta contra a imobilidade.

O copo rapidamente seca enquanto rabisco as últimas linhas entre goles. O corpo reluta.

A cova aguarda seu momento triunfal.

E eu espero pelo último frio do inverno.

quarta-feira, julho 16, 2008

Bons Tempos

Eu disse a ela que queria voltar a escrever, mas que não consigo. Ela me disse que é porque eu estou deprimido. Antigamente quando eu estava deprimido conseguia escrever e escrevia muito. Hoje não consigo escrever muito quando estou deprimido e nem quando eu não estou.

Ela me disse que eu precisava fazer aquilo que dizia para ela: “Você precisa criar o hábito”. E eu disse que antigamente eu tinha hábitos quando eu estava deprimido. Hoje não tenho hábitos quando estou deprimido e nem quando não estou.

O único hábito que eu não perdi foi o de reclamar que não consigo mais escrever, pareço uma daquelas velhas mal-comidas que olham tudo da janela para praguejar depois o dia inteiro. Só que velhas mal-comidas são mal-comidas e eu sou bem-comido quando estou deprimido e quando não estou também.

Mas se tem uma coisa que não mudou nem um pouco é que antigamente eu não sabia terminar os meus textos quando estava deprimido e hoje não sei terminar os meus textos quando estou deprimido e nem quando não estou.

terça-feira, maio 27, 2008

Incertezas

E o que se faz da tristeza implacável que se abate sobre o peito e abraça-nos com tão extrema fúria, calor e paixão que o ar nos falta longamente, fazendo-nos por vezes duvidar da consciência que ainda nos resta. O cansaço segue e o silêncio observa enquanto a cabeça repete as palavras alheias e o remorso de escolhas incertas rói a carne lentamente.

segunda-feira, março 03, 2008

Tudo Sobre Eu ou Você

Você pode falar sobre o que não compreende?
Sobre aquilo que está além da íris, oculto por camadas de pele, carne, ossos, sentimentos e pensamentos?
Ou cantar as gestas de uma existência que gostaria de significar algo além de sua mera essência?
Alguma vez você já fez algo tão significativo que o bem gerado a partir de suas ações redimisse a culpa de uma existência desperdiçada?

sábado, março 01, 2008

Equilíbrio, Razão e Sentimento

Amanhece mais uma vez. Acordo com os sons que chegam pela janela até o meu quarto onde o calor de um pequeno felino faz meus pés suarem. Ouço o barulho de pessoas caminhando na rua, indo de um lugar a outro sem propósito aparente, sem significado. Levando vidas acidentais de quem ninguém irá lembrar, vidas medíocres que se repetirão à exaustão até mesmo quando não forem mais humanas.

Um velho sentimento bate à porta, não tenho vontade de falar com ninguém ou comer, como ocorre tão freqüentemente em dias frios e chuvosos que também podem ser quentes e secos. Sinto raiva de mim, porque a explicação para a raiva não me escapa tão fácil quanto à explicação para aquilo que sinto. Às vezes a lógica é o cianureto dos sentimentos, às vezes o contrário.

Sigo a rotina. Levanto-me, me visto, me lavo e nem sei que dia é hoje. Mastigo um belo doce de goiaba caseiro (que é a sensação do momento para aqueles que ainda sentem o gosto) perseguindo algum sentimento com a vontade de quem se agarra à vida que lhe escapa. Eu faria inveja a uma anêmona se anêmonas sentissem inveja. Converso pouco e as minhas palavras se atiram vazias para as pessoas sem talvez passarem despercebidas.

E assim que tenho a oportunidade eu me sento e escrevo. Espremo todo o significado que tenho dentro de mim para uma folha de papel, me sufocando mais a cada palavra que escrevo com a minha inevitável dificuldade em equilibrar razão e sentimento. Meu corpo estremece e se curva com o esforço para o papel, as letras diminuem e se entortam. Subitamente o telefone toca e me interrompe com um grande susto. O coração pulsa rápido e com força, os pensamentos anuviam-se, a mão se recusa a obedecer e impõe ao papel os seus próprios pensamentos. O corpo trai, cede. Troco letras, troco palavras, nublo tudo com olhos que se fecham colocando o mundo que não entendo em uma perspectiva bizarra, o mundo cão que ensurdece e colapsa e então quando o vejo amanhece mais uma vez.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Mooo??? A primeira estampa do ano

Mooo??? - Threadless, Best T-shirts Ever

Nos próximos dias abrirá para votação, entrem e confiram.
Estou ansioso pelos votos e comentários!

[]'s!

quarta-feira, novembro 28, 2007

Mario ou não Mario? Eis a Questão.

Sem entrar na polêmica desnecessária sobre o excelente trabalho do governo na tentativa de ressaltar que "os seres humanos são iguais o caralh..." e a política de cotas, aqui vai um link interessante sobre o dia da consciência negra.

A foto do Banner e a polêmica: Será que é o Mario?

A moda agora é colorir todo brasileiro proeminente, como se a cútis de alguém fosse fator determinante de capacidade ou inteligência, Hitler explica. Será que é por isso que é chamado de "mês da consciência negra"?

terça-feira, novembro 20, 2007

Nota Sobre Lavagens à Seco

Eu poderia me sentir sórdido se me importasse com falsos pudores sem pensar. Essa história toda de pudores que a população e os religiosos adoram só serve para vender livros e sustentar toda essa depravação que é a política. Esses dias alguém tentava me convencer a experimentar uma técnica de meditação dizendo que era proibida na china e que os praticantes eram até perseguidos. Eu fiquei me perguntando quem será que estava errado, o estado chinês ou os praticantes da tal técnica? Nunca se sabe ao certo de que lado vem à lavagem cerebral. "There's always a catch".

terça-feira, outubro 23, 2007

Meio-Casa

Outrora alegre e abarrotada, a casa agora lutava contra o vazio, varrida por um vento intenso que fazia a pele arrepiar de frio e dissipava o calor das camas. O silêncio se deitava entre lençóis amarrotados e objetos largados ao acaso avisavam olhares desavisados da presença que agora não eram mais que uma lembrança. Um triste fim para dias tão festivos, ainda que tão humano quanto nascer, crescer e ser esquecido, se é que um lugar possa ser humano.

Mas talvez os lugares possam ser humanos e os animais, plantas e objetos também, uma vez que a grande maioria dos seres humanos consegue ser menos que humano a maior parte do tempo. Mais que isso, talvez eles aspirem à humanidade que esforçamo-nos por renegar. Talvez aquela casa tenha sido, entre suas paredes caiadas de branco, mais nobre a sua maneira do que seus visitantes, dando de abrigo e reconfortando viajantes diversos sem se importar com sua origem, destino ou destinação na vida.

Quem me dera eu fosse meio-casa. Vivesse sem me importar com quem entra e sai do âmago da minha vida e ser feliz por apenas servir em minha simples e humilde existência. Ser tão incapaz de ofender alguém como qualquer objeto ordinário e ainda assim poder reconfortar os incautos. Deixar que estes andassem descalços por entre os meus aposentos no contato mais íntimo que alguém pudesse ter sempre que quisesse. Ser forte o bastante para sobreviver às intempéries sem depender de outrem e quando não pudesse mais reconfortar a ninguém simplesmente ruísse.

E pensando nisso agora, quem me dera ser um pouco menos humano para poder desejar isso sem um tom de falsidade ou arrependimento.

sábado, setembro 22, 2007

terça-feira, setembro 11, 2007

Rir de si mesmo

É preciso rir de si mesmo. Perder essa mania besta de se levar muito à sério.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Design de Camiseta: Dancer

Meu primeiro design de estampa para camiseta entrou em votação!!!
Estou super feliz :D
Visitem o link abaixo e dêem uma força!

My Threadless.com Submission

terça-feira, julho 31, 2007

Faculdade à Tarde

Ainda não deu tempo para virar rotina, já que até agora eu só tive uma aula, mas é muito estranho voltar a estudar a tarde depois de... 17 anos? É tempo pacas.

Aliás, eu fui totalmente no clima de colégio, usando um all stars novo, com aquela mesma sensação de estranheza por pisar com um tênis baixo e sentir a palmilha de pano gelada do frio escorregando de forma esquisita por baixo do pé (é, fazia também uns 17 anos que eu não usava um tênis assim).

Cheguei na USP em cima da hora e ainda demorei para localizar a sala, mas ainda assim cheguei antes do professor e mesmo dos alunos. Estes eram quase totalmente diferentes do que eu imaginava que iria encontrar, tanto em número quanto em aparência e idade, o que só contribuiu para aumentar a sensação de estranhamento. Mas estranhamento por estranhamento eu sempre fui muito bom em me sentir deslocado. Coisas de Nerds.

Depois de seis anos estudando literatura eu não me lembrava mais da sensação de novidade quando entrava em uma sala de aula. Acho que inconscientemente esperava que em algum momento o professor de História da Arte do Brasil II dissesse quanto às influências que levaram ao modernismo na arte brasileira fossem culpa do romantismo. E para a minha surpresa a citação mais próxima da literatura foi sobre Mario de Andrade, como principal crítico de arte da época, é claro...

Mas estranhamentos a parte foi muito bom. E eu saí de lá pensando no que uma amiga disse sobre termos uma certa idade para fazer aquilo que realmente queremos e não o que nossos pais ou ouras pessoas nos empurram goela abaixo.

sexta-feira, julho 20, 2007

Feliz Dia do Amigo!

Para todos vocês que me lêem um feliz dia do amigo. E para que vocês entrem no espírito vou deixar aqui um link para um vídeo que não deu para postar por causa da censura aqui no escritório (eu sei, eu sei, eu trabalho com Social Media Optimization e adoro citar o Cluetrain Manifesto para os clientes, mas os meus chefes proibiram as atividades sociais na rede do escritório).

Abraços de graça!

quinta-feira, julho 19, 2007

Fé no 3054

Como todo mal brasileiro, eu já perdi a fé no Brasil faz tempo. Veja bem, digo mal brasileiro porque as pessoas gostam de atribuir a fé ao currículo de bom brasileiro e eu pessoalmente acredito que a fé só serve para se eximir da culpa.


Acontece que é muito fácil sentar a bunda e pedir para que não chova, o difícil é fechar um aeroporto para realizar uma manutenção decente só porque alguém vai perder dinheiro e os usuários vão reclamar. E assim se bota preço duas vezes nas vidas alheias, uma quando não se quis fazer bem feito e a outra quando rolar a indenização à família das vítimas do vôo 3054.

Mas o que quero ver mesmo é quanto tempo vai demorar até jogarem a culpa no pobre do piloto, porque o que ninguém nunca vai ouvir será o governo pedindo desculpas por liberar a pista mesmo sem o “grooving” ou por tentar acabar com as filas nos aeroportos ao invés de investir na infra-estrutura aeroportuária, que como ninguém vê, não rende votos e como não rende votos...


Só tendo fé mesmo para agüentar a falta de competência dos nossos políticos, que se bobear estão fazendo uma "fézinha" no 3054 enquanto nós pasmamos indignados...

quinta-feira, julho 05, 2007

Problemática

O problema de ficar muito tempo com alguém é desaprender a ficar sozinho.

O problema de ficar sozinho é passar tempo demais calado.

O problema de ficar tanto tempo calado é que a garganta arranha quando você fala.

O problema de falar é não saber o que dizer.

O problema de não saber o que dizer é o silêncio constrangedor.

O problema do silêncio constrangedor é que ele nos faz pensar que preferíamos estar sozinhos.

O problema de estar sozinho é desaprender a ficar com alguém.

segunda-feira, junho 25, 2007

Sobre Penas, Medos, Doris Day e Brevidade

Tá para fazer uns 20 dias que eu não publico nada e ando meio assustado com a quantidade de coisas que eu escrevo que nunca vem parar aqui. Não estou certo dos motivos, em parte sei que fiquei mais exigente comigo mesmo e já não aceito publicar qualquer coisa que eu escreva assim sem mais nem menos.

Para falar a verdade, eu já acho que ando publicando sobre muitas coisas que me interessam, mas que não seguem o propósito original que eu tinha para esse blog: fazer experiências literárias. Ou seja, eu ando dando uma tapeada e fingindo que faço lição de casa... rs.

É lógico que como em toda boa conversa que se preze, falar sobre isso e aquilo, dar voltas sobre o que é ou o que deixa de ser, fazer uma piada ou comentar sobre o que a gente gosta, faz parte do pacote. Afinal tem que ser divertido, não é? É sobre isso que é a vida: lutar, suar a camisa, mas antes de tudo, fazer isso pelo que gostamos, pelo que amamos...

Eu só me pergunto por que a maioria de nós passa mais tempo fazendo aquilo que não gosta ou não quer e fingindo que está tudo bem. Deixando estar e a vida a passar por não querer mudar. Me pergunto quando é que os sonhos morrem? Quando é que deixamos abrir o chão entre nós e aquilo que somos, aquilo que fazemos, aqueles que gostamos? Me pergunto porque temos que ser tão inversamente proporcionais aos nossos medos?

Por que não podemos pular de pára-quedas? Por que não podemos começar de novo e fazer tudo diferente? Por que temos que parar no farol vermelho as 4:30 da madruga? Por que respeitar sempre a todas as regras? Porque não começar a merda de uma frase falando “Me pergunto” ao invés de “Pergunto-me”? Quando ninguém mais fala assim! Soa tão distante, tão artificial, tão não-nós-mesmos?

Se eu tenho um medo, é o medo de viver uma vida que não é a minha. De deixar de fazer o que vale a pena, de esquecer as coisas pequenas e tudo aquilo que dá real sentido a coisa toda. Morrer, todos vamos um dia, mais cedo ou mais tarde e não importa o quanto vivamos, nossas vidas sempre serão breves.

Então eu vou sentar aqui quietinho e tentar escrever mais um pouco, reler algumas coisas que passaram e alguns momentos que eu esperava que nunca tivessem acabado. Tentar ser um pouco mais corajoso, publicar aqueles textos que eu prometi para mim mesmo não mostrar a ninguém mais, me arriscar, agüentar as conseqüências e deixar a vida seguir seu curso. Que ela venha, breve como é. Não importa, “Que será, será”, e quando eu cair como qualquer homem mortal, nunca cairei para além de sete palmos.


Que Será, Será (Whatever Wil Be, Will Be)

“When I was just a little girl,
I asked my mother, "What will I be?
Will I be pretty?
Will I be rich?"
Here's what she said to me:
  "Que sera, sera,
Whatever will be, will be;
The future's not ours to see.
Que sera, sera,
What will be, will be."
When I was just a child in school,
I asked my teacher, "What will I try?
Should I paint pictures"
Should I sing songs?"
This was her wise reply:
  "Que sera, sera,
Whatever will be, will be;
The future's not ours to see.
Que sera, sera,
What will be, will be."
When I grew up and fell in love.
I asked my sweetheart, "What lies ahead?
Will we have rainbows
Day after day?"
Here's what my sweetheart said:
  "Que sera, sera,
Whatever will be, will be;
The future's not ours to see.
Que sera, sera,
What will be, will be."
Now I have Children of my own.
They ask their mother, "What will I be?"
Will I be handsome?
Will I be rich?"
I tell them tenderly:
  "Que sera, sera,
Whatever will be, will be;
The future's not ours to see.
Que sera, sera,
What will be, will be.
Que Sera, Sera!"

segunda-feira, junho 11, 2007

Manual para Matar Gnomos:

O manual para matar gnomos foi desenvolvido por um celebre camarada do meu trampo. Tks, Marcelo!

Divirtam-se:

1) um ogro
2) uma lajota
3) iniciativa
4) gnomo venceu, solta magia colorida
5) Ogro ignora magia colorida e joga lajota no gnomo
6) Gnomo morre

FIM


Ps.: Crianças, não tentem isso em casa.
Ps2.: Qualquer semelhança com ilustres comentaristas deste blog é mera coincidência.

segunda-feira, maio 28, 2007

Acorda...

Acorda. É mais uma manhã fria. Os homens cansados levantam para tomar um pingado e vão caminhar para o trabalho. Os ônibus passam lotados e as pessoas se escoram em outras pessoas, todas sonolentas, todas cobertas de pó. O céu escuro resiste e demora a clarear.

Acorda. Está frio pacas. Mal o chá alcança a xícara e já está morno, quase frio. O final de semana passou e você nem o viu. E mesmo que visse ao longo da semana nem teria a quem contar. Pessoas saem do metrô abafado para a rua gelada carregando grandes nuvens de vapor arduamente espiradas.

Acorda. A viagem é cansativa. As gentes se acotovelam tal qual bois indo ao matadouro e no fundo, no fundo, não sei qual é a pressa. É gente para todo lado, se acotovelando mesmo ao trabalho, dia à dentro, semanas a fio, meses, anos. Espremidas em escrivaninhas justas, confinadas a espaços escuros, salas secas de ar-condicionado e outras tantas alcovas tenebrosas da ganância intensiva.

Acorda. Vede a mancha marrom no horizonte e o frio sol de outono antes que descubram a persiana aberta. Vede a vida passando lá fora enquanto secam aqui dentro você e a pobre pimenteira. A vagar, liga anestesiado o monitor, coloca uma música sóbria e sonha com dias melhores.

quarta-feira, maio 16, 2007

Tíquetes, Por Favor.

Às vezes eu me assusto quando vejo como sou difícil. Não que isso seja novidade. Acontece que de repente eu vejo um monte de pessoas novas entrando pela porta da minha vida, e eu deixo porque não há mal nisso, mas por mais que eu esconda sei que não queria que algumas delas estivessem lá. É quase como se eu me sentisse um penetra na minha própria vida. Não quero esse monte de gente entrando assim sem mais nem menos, realmente não quero.

Aí vem a pergunta: Porque não quero? E eu fico com cara de tacho, não sei responder. Porque não. Não quero me justificar, não quero ter que dizer mais nada, não quero. Eu não posso escolher ser restrito assim? Eu sou assim, eu gosto, não vejo mal nenhum nisso. Só que quando tenho que dizer não para as pessoas eu acabo me sentindo péssimo com isso, como se eu estivesse fazendo algo muito mal, muito errado.

E não é que eu quero ficar só o tempo todo. Eu quero as minhas antigas amizades, quero novas amizades também, mas quero antes de tudo quero me sentir confortável nesse mundinho estranho que se tornou a minha vida.

Desculpa aí, não é por nada não, é só que eu não tenho vocação para Poliana, não quero sair adotando todo mundo e estou morrendo de saudades de uns amigos desnaturados por aí...

sexta-feira, abril 27, 2007

Encontre o que você ama

Este vídeo é um discurso feito pelo Steve Jobs na formatura de uma turma de graduação em Standford e também uma das coisas mais certas sobre a vida.

O vídeo está em ingles, mas alternativamente você pode encontrar o discurso integral em português no site da Você S/A:

quarta-feira, abril 25, 2007

quarta-feira, abril 18, 2007

Tarantino's Mind

Não há nada como um bom roteiro... Acho que é por isso que contos e curtas tem tanto potencial.
Tarantino's Mind

Ps.: O curta não vai fazer muito sentido para quem não manja de Tarantino.

segunda-feira, abril 16, 2007

A vida muda

Para ouvir enquanto lê: Blind Guardian - The Bard's Song in the Forest

Tudo muda um dia. Você nem espera, você nem vê chegando, mas uma hora vem uma onda mais forte e tudo muda. Geralmente é quando você menos espera, é com pessoas que você adora e que até aquele momento não teve muita chance ou tempo de curtir. E quando isso acontece você fica se perguntando onde você esteve durante todo esse tempo, o que fez, porque não passou um tempo com essas pessoas, porque nunca disse a elas o quanto se importava.

Acontece, nesse pequeno e esdrúxulo instante na eternidade que chamamos de vida. Não sei vocês, eu decidi não acreditar em entidades super-poderosas que virão um dia salvar tudo ou bater nas bundas de todos que fizeram merda. Eu prefiro não fazer merda, tentar pelo menos e assumir as merdas que eu faço. Prefiro não pensar que alguém vai limpar a minha sujeira um dia. E quando decidimos esse tipo de coisa, de súbito, esse instante passa de insignificante a tudo e descobrimos o quão foda é viver.

Pois bem, agora a pouco eu acabei de passar por um desses momentos de me arrepender por não ter passado mais tempo com pessoas que eu acredito que valem muito a pena. E me sinta assim talvez porque é nesses instantes críticos que você percebe que nada é para sempre, que amanhã talvez as pessoas possam não estar mais aqui e você não sabe se irá poder vê-las de novo, que talvez você não vá estar aqui amanhã.

Eu não sei como resolver isso, só sei que agora, a única coisa que eu posso fazer é dizer nós últimos instantes que ainda temos que me importo muito e que as coisas poderiam ter sido diferentes. E esperar que por maiores que as coisas sejam, que elas não sejam tão grandes a ponto de ficarem entre as pessoas.

Bix, Mazi... Muita sorte e boa jornada.

sexta-feira, março 30, 2007

Corpos conhecidos do Sistema Solar

Esse é um dos motivos porque eu amo o meu Del.icio.us:

Todos os corpos (conhecidos) no Sistema Solar maiores que 200 milhas de diametro

Encontrar coisas muito boas porque as pessoas não perdem tempo para indicar porcarias.
^^

Frase do dia

"Há 10 tipos de pessoas no mundo: os que conhecem código binário, e os que não." - Geek Desconhecido

terça-feira, março 27, 2007

Mas não é só hoje

Hoje é um daqueles dias. Um daqueles que você não terá a certeza de que queria ter saído da cama, que não saberá dizer por que e que quando muito só tem uns palpites. Um daqueles dias em que a música ajuda, mas não resolve, um daqueles em que você não queria estar aqui e também não sabe onde quer estar.



Hoje é só um daqueles dias. Um daqueles que você não sabe com quem conversar ou sobre o que falar, você só quer falar, mas não há com quem e se não falar também está bem, pois no final quaisquer palavras trocadas não farão a menor diferença. Você não quer falar para só ouvir ou para só ser ouvido.


Hoje é um dia bom para ouvir Portishead, para não conseguir se quer sentir-se incompreendido, porque as pessoas no seu mundo há muito tempo não compreendem e não dá para explicar a diferença entre o incompreensível e o incompreensível. Hoje é um dia bom para estar completamente sozinho.


É um dia em que você vai sentir-se só na multidão, vai ficar paranóico e sentir o tempo todo o peso dos olhos ao redor, vai esperar o momento em que os seus dedos secos acusatórios estendam-se em riste para te acusar por ter sentimentos inexplicáveis, pelas coisas que você ainda não fez, por não obter um daqueles sucessos inócuos ou por não ser pardo como todos os outros patos.


Hoje é só mais um daqueles dias em que as pessoas se vestem mal na rua, em que a fumaça faz arder os olhos, em que crianças trabalham, em que animais são extintos, em que as gentes se matam, e em que criaturas se erguem pisando sobre os corpos nus enquanto as moscas ficam as voltas.


Sim, é seco! É amargo, triste, ácido, cáustico, e faz com que se sinta mal porque não consigo contar de outro jeito. Assim como um ornitorrinco não consegue ser um pato, um castor, uma vaca ou qualquer outra coisa que o valha, apenas um ornitorrinco.


E se quiser me culpar por tudo isso, culpe, não sou um mártir de contos-de-fadas, sou um homem real de carne e osso, eu sangro, eu suo, eu choro, eu rio, eu penso, eu grito, eu mato, eu morro.

segunda-feira, março 19, 2007

quinta-feira, março 15, 2007

Um Dia de Curso

8:40 – 9:02

É bem cedo. O clima tipicamente tropical não nega a raça e manda ver em mais um dia quente e abafado. Eu tive que acordar cedo e viajar até um bairro distante para fazer um daqueles cursos ótimos para empresas e currículos, embora eu não esteja bem certo de que ele será tão interessante quanto útil.

Uma senhora introduz as palestras balançando freneticamente a cabeça enquanto fala, é bizarro. Os participantes ao meu redor vestem-se como se precisassem muito sentirem-se importantes. Nem parece que o palestrante a minha frente fala de Internet. Sim, esse mundo já foi mais “cool”, eu quase lamento o dia em que internet deixou de ser coisa de nerds.


11:07 - 11:14

A primeira coisa peculiar sobre o mundo da publicidade é que é um mundo pequeno, minúsculo para falar a verdade. É como se todas as pessoas no mercado coubessem em uma edícula. O que torna ainda mais peculiar a segunda coisa sobre ele: o excessivo culto a personalidade.

A coisa mais comum desse mundo é entrar em uma roda de bate-papo e escutar algo assim:

“...e então você não acredita, conheci o Tadeu Sbrubles”

“Sério??? O Tadeu?! Nooossa! Que máximo, o Tadeu é incrível!”

Mas quem diabos é o tal do Tadeu... bom isso é um mistério para muito poucos iniciados, aliás, eu não me surpreenderia se em uma roda com 6 pessoas menos de um terço atualmente soubesse quem é o tal do Tadeu.


12:30 – 14:00

Finalmente veio o almoço, a segunda palestra já estava perdendo a graça, o restaurante é bem legal e nós temos um mesanino reservado. O punk é escolher aonde sentar, uma escolha errada e qualquer chance de ter um almoço agradável pode dar lugar a monólogos chatos, inquéritos desconfortáveis e debates intermináveis.

As pessoas que eu conhecia resolveram me evitar descaradamente e sem nenhum constrangimento, o preço que se paga quando acaba o assunto durante o primeiro coffe break (ta, talvez só eu não soubesse quem é o tal do Tadeu, talvez eu esteja levando a sério demais o meu trabalho dentro desse “clubinho” que é a publicidade).

Dei sorte, acabei sendo abordado por um japonês interessado no meu trabalho e um povo simpático (felizmente nem todo mundo confunde um curso na Vila Olímpia com um casamento).


14:06

O medo geral básico pós-almoço é dormir barulhentamente, porque dormir em uma sala quente onde um palestrante vomita toda a sorte de dado técnico sobre a platéia todo mundo dorme.


15:32

Outro coffe break. Não agüento mais comer. Acho que daqui a pouco alguém vai entrar com maçãs e cordas e levar todo mundo para o forno.


18:30

Ufa, acabou, a última palestra foi sensacional, mas eu não consegui escapar da sala sem enfrentar um pequeno debate com uma garota que pensa que é madrinha da noiva. Bonitinha, mas tão cabeça-dura...

Eu só queria descobrir se estou ficando anti-social ou se eu estava muito fora d’água. O problema dos nerds é que eles não podem ver uma mulher bonita pedindo para entrar na festa que eles já perdem a cabeça, e foi assim que a Internet foi tomada de assalto por pessoas com mais batom do que cérebro.

Agora finalmente posso me preocupar com algo mais importante: Comprar ingressos para o show do Blind Guardian.

quinta-feira, março 08, 2007

Publicidade no Orkut

Que ia acontecer todo mundo já sabia, mas quando eram outros quinhentos. Pois é, agora é oficial, o Orkut.com agora faz parte da rede de publicidade do Google.

A notícia foi publicada no blog sobre Search Engine Marketing Hotileros.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Problemas do Ensino na Faculdade de Letras

O problema do aluno que termina o ensino médio e escolhe sua graduação "jogando dados" é universal. O ensino médio joga um monte de informações na cabeça do indivíduo que mais confundem que preparam o estudante para tomar o próximo passo.

Além disso, a faculdade no Brasil tem caminhado cada vez mais para um sucateamento por razões mercadológicas. O indivíduo quer fazer uma faculdade não para aprender, mas para ter menos dificuldade em conseguir um emprego.

O resultado é o ingresso de uma multidão de alunos preparados para uma prova de vestibular e despreparados para o conhecimento acadêmico. O que conseqüentemente vem provocando um “afrouxamento” dos requisitos necessários para que o universitário consiga o diploma.

O caso da faculdade de Letras é grave, o aluno chega ao curso sem saber qual a sua real utilidade e com a expectativa de um curso fácil (um engano comum gerado pelo preconceito contra as carreiras de humanas). E lá se depara com um conhecimento complexo e extenso, ministrado através de um método que ignora as aptidões do aluno e que se quer prepara-o para exercer adequadamente o cargo de professor, quanto mais à miríade de carreiras que poderia.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

É por isso que eu amo o Neil...

E existe algo mais amável do que bons escritores? Eu até fazia parte da comunidade "Good Wrighting is Sexy" antes do Orkut me banir permanentemente. Se ele fosse mulher talvez eu até me casasse com ele.

Então, sem mais delongas, divirtam-se com Neil Gaiman & His Magnificent Oracular Journal


Ps.: This note is for Neil himself, if someday he reads me:

Neil,
Yes I do love your writings and I wold love to marry you if one of us was a woman...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Matrix: Baixo Orçamento

Refilmagem da cena "rooftop sequence" por alunos da USP:
MATRIX: BAIXO ORÇAMENTO

*Nota mental, escolher um curso de graduação mais divertido da próxima vez...

sábado, fevereiro 10, 2007

"A Juventude é uma Banda numa Propaganda de Refrigerantes"

A juventude é uma coisa incrível, faz do nosso mundo um lugar divertido e da nossa vida uma aventura. Somos impetuosos, espirituosos, aventureiros, divertidos, sinceros... enfim, jovens! São tantas coisas novas e, ao mesmo tempo, é sempre como se o mundo fosse acabar no próximo instante. Pena que passa tão rápido.

Pessoalmente, não me arrependo de quem eu sou agora e acredito que eu não trocaria o que eu tenho para poder viver isso novamente (isso é porque eu não sou mais adolescente, senão com certeza o faria... rs). É só que...

Sei lá... nostalgia.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Gata depressiva recebe tratamento com Prozac - 30/01/2007

Nada contra a gata, mas eu juro que conferi para ver se estava mesmo na página de ciências. Dá para botar uma fé? Será tudo isso falta do que noticiar? Não entendo porque o jornalismo online é tão água com açúcar.

Gata depressiva recebe tratamento com Prozac - 30/01/2007

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Excluído

Era o meio da tarde de um dia meio chuvoso no meio do verão. Não parecia verão, não parecia chuvoso e não parecia meio da tarde. Estava escurecendo como escurece antes de cair uma chuva daquelas, mas da minha janela eu via apenas a copa de uma árvore, três ou quatro pássaros voando rápido, cinco ou seis prédios e três dúzias de janelas. Não dava para ver o céu. Era o meio das férias, mas também não parecia porque as férias eram apenas escolares.

Tento imaginar algo que me tire daqui para uma situação diferente. Tento lembrar de algo, pensar em alguém, ler alguma coisa diferente só para dar um intervalo. Troco o CD, troco as músicas e nada adianta. Lá fora, a árvore balança mais e mais conforme o tempo passa, mas nada muda.

Volto ao trabalho, e um tempo depois, antes de ir embora, me volto para olhar o meu Orkut, e ler:

“Seu perfil foi excluído.

Seu perfil violou nossos Termos de Uso. Excluímos seu perfil e recomendamos que você leia nossas políticas e diretrizes de utilização antes de criar um novo perfil.”

Só isso, sem demais. E o mais triste é que eu não fiz nada de errado e está na cara que eu nunca vou descobrir o por quê disso...

Não sei o que dizer, é como cortarem um pedaço da sua vida. Scraps, testimonials, etc... perdi tudo. Não sei se vou querer ter outro desses.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Palavra Bizarra da Semana: Parafilia

Vira e mexe me deparo com uma dessas palavras loucas como esta:
Parafilia.

Acho que essa é a parte divertida do meu trabalho.

Nesse caso em especial, o que achei curioso mesmo são os verbetes que partem desse, tente alguns. Quer um exemplo?
Nesofilia.
e esse outro aqui é para colocar os homens para pensar:
Orquifilia.

Divirtam-se!

segunda-feira, janeiro 08, 2007

domingo, dezembro 31, 2006

5 Minutos de Solidão

Talvez, muito provavelmente o último relato desse ano.

Para quem sempre sofreu de solidão, esse ano me descobri terrivelmente viciado nela. E uma inexorável verdade. Solidão vicia. Quem aprende a apreciar o silêncio adquire um vício muito difícil de largar.

Eu sempre afirmei que nós humanos somos criaturas sociais, mas a coletividade não faz sentido algum sem a singularidade. A coletividade só faz sentido quando cada uma das suas entidades singulares possui algo para trocar. É dessa troca que a coletividade se enriquece, de outro modo, a coletividade se torna apenas uma singularidade de muitos que com o tempo passam a depender uns dos outros para mal e porcamente conseguir ser um só.

A solidão é necessária para o nosso desenvolvimento. Sem ela somos incapazes de realizar atividades como a reflexão, por exemplo. Somente quando estamos a só podemos refletir sobre toda a experiência adquirida, entre outras coisas, da troca com a coletividade.

A solidão é o verdadeiro momento onde criamos coisas novas, é por isso que o início da criação é em geral atribuído a apenas um Deus.

A solidão é aquilo que, por contraste, nos permite atribuir valor a todas as coletividades, a todas as particularidades, a todas as diferenças; talvez não vivêssemos em um mundo com tantas guerras se aprendêssemos a ser mais sozinhos.

É através dos momentos de solidão que o homem aprende a aceitar melhor a si mesmo, aprende a importância de partilhar e de ter com quem partilhar. É assim que o homem pode aprende a importância do outro, aquele que para ser, por princípio, não é igual a você.

O homem tem muito que aprender sobre ser sozinho antes de aprender a conviver em sociedade. Isso é independência, respeito e responsabilidade. É por isso que para esse novo ano que começa eu desejo a mim e a todos os homens que tenham um pouco mais de solidão.

[]’s e um feliz 2007!

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Papai Noel é Mulher, Tem 45 Anos e uma Peixeira

Depois da última facada que os dePUTAdos desferiram no povo tinha quem houvesse desacreditado em papai-noel e em justiça poética. Proposital ou não, a vingança veio com ares de presente de natal, por isso eu reafirmo:
Papai Noel é mulher, tem 45 anos e uma peixeira.

Como disse o poeta: “Declare guerra a quem finge te amar”. Se a moda pega, pouca gente iria achar ruim.

Ps.: "Mamãe Noel" afirma que foi pelo reajuste.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Tabacaria (poema)

Tem dias que não dá para dizer como a gente se sente. pelo menos não tão bem quanto outros.

Tabacaria - Álvaro de Campos

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas —
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas —,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma sem
Porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates coma mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê —
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como
Tabuletas
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Folha Online: Blogueiros riem por último e invadem "show business" - 11/04/2006

Essa é uma matéria interessante, sobre o poder de comunicação dos blogs: Folha Online: Blogueiros riem por último e invadem "show business" - 11/04/2006.

Eu só discordo da parte que diz que os blogs devem cair frente ao podcast e ao videocast. É o mesmo que dizer que as pessoas deixaram de ler quando criaram o rádio e, posteriormente, a televisão. Sem contar que os blogs são extremamente compatíveis com os outros dois formatos.

E você? O que acha?

You are the Sun


You are The Sun


Happiness, Content, Joy.


The meanings for the Sun are fairly simple and consistent.


Young, healthy, new, fresh. The brain is working, things that were muddled come clear, everything falls into place, and everything seems to go your way.


The Sun is ruled by the Sun, of course. This is the light that comes after the long dark night, Apollo to the Moon's Diana. A positive card, it promises you your day in the sun. Glory, gain, triumph, pleasure, truth, success. As the moon symbolized inspiration from the unconscious, from dreams, this card symbolizes discoveries made fully consciousness and wide awake. You have an understanding and enjoyment of science and math, beautifully constructed music, carefully reasoned philosophy. It is a card of intellect, clarity of mind, and feelings of youthful energy.


What Tarot Card are You?
Take the Test to Find Out.

quinta-feira, novembro 30, 2006

sexta-feira, novembro 24, 2006

Já deu sua cambalhota hoje?

Cambalhota
Substantivo feminino;

1 - volta que se dá com o corpo de cabeça para baixo;
2 - reviravolta;
3 - trambolhão;
4 - tombo;

Mais do que uma simples pirueta, a cambalhota é uma comemoração, pode mostrar alegria e arrancar risos, pode deixar alguém muito feliz, mesmo que esse alguém seja só você.

Venha você também dar risadas e fazer os outros rirem. É por uma boa causa e você ainda pode aproveitar para descontrair com os seus camaradas de trabalho e rir de você mesmo, uma das melhores coisas que você pode fazer por você!

Aproveite e guarde esse momento para posteridade! Nossas amigas Juliana e Michele (batista.juliana@gmail.com) estão fazendo um trabalho de marketing viral para a faculdade e hoje é o último dia em que elas estarão filmando cambalhotas. Participe! De quebra você também pode se tornar uma estrela!


Veja esses depoimentos de gente muito famosa!


Mikail Barishnicov: “A Cambalhota é o ato de expressão perfeito!”

Valderrama: “No começo o difícil era não me embolar no meu cabelo, depois peguei o jeito.”

Marcus Valério: “Cambalhota? Claro! É o que eu mais dou com os deputados!”

Pablo: “Foi legal! Gostei!”

Michael Moore: “Eu dou várias, mas gosto mais de ver as do meu amigo Bush.”

Bush: “Ca-ca-m-balota? Sorry, No Compreendo...”

Fábio: “Ehhhhhh mano... Sohhhhh!”

Silvio Santos: “Aai-hi-hi... Não perca! Hoje na seção das dez, o filme ‘cambalhotas’, eu assisti e é muito bom! E amanhã, não perca a estréia o programa ‘Cambalhotando’!”

quinta-feira, novembro 16, 2006

Fim de Tarde

Ele saiu bem diferente de como eu o imaginei, ficou legal, então vou publicar e acho que vou tentar escrever outro seguindo a idéia original. Até lá, divirtam-se:

***

Fim de Tarde


A sensação de estar mentalmente distante do lugar onde se está fisicamente é uma velha-conhecida. Onde eu estava, de verdade, não sei? Onde estava? Parado no metrô.

A bela garota passava em um vestido bordô. Combinando desde as unhas até o sapato com os mais deliciosos tons de vermelho. Seus cachos perfeitamente castanhos destacavam os fones brancos do iPod e emolduravam o rosto pálido onde brilhavam olhos do mais puro azul-turquesa.

Ela se senta e eu assisto como um garoto na multidão. A curiosidade me devora. Quero saber o que ela está escutando enquanto sorri e batuca animadamente com as unhas na superfície do iPod. Seu sorriso é gracioso, um daqueles sorrisos que se dá quando ninguém está olhando, ou quando se está distraído demais para pensar nisso. Em deleite eu observo.

Mas no mundo real o telefone toca, borra a imagem e revela o escritório. Todo mundo ao redor olha enquanto brigo com a pequena concha cinzenta para silenciar o seu toque. Converso rapidamente e me dirijo para o recinto mais branco e diminuto que alguém ousou chamar de copa. na seqüência desligo o telefone e volto a minha mesa para me concentrar.

Só que alguém ralha com alguém, alguém contra argumenta e outro alguém cantarola do outro lado da sala. Eu respiro fundo, finjo ignorar tudo enquanto ar gélido me açoita saindo do maldito ar-condicionado. É tão difícil voltar a me concentrar! O relógio do computador ainda errado assiste a tudo e o do celular denuncia: falta dez minutos para o final do expediente. Fico indeciso se salvo ou não o arquivo e me lembro da pasta com dezenas de textos inacabados que apaguei recentemente.

Visto a minha jaqueta vermelha, desligo o computador e atravesso a sala tentando não levantar suspeitas ou revelar a minha felicidade. Passo o cartão no relógio de ponto que apita com o elevador. Corro para a porta quase inutilmente e alguém segura o elevador pouco antes que fechasse.

Agradeço automaticamente antes de erguer os olhos do chão e ver o rosto conhecido cujo sorriso eu só imaginei em sonhos. Abro meus lábios assustado em um reflexo sem, no entanto, emitir som e, enquanto a porta do elevador se fecha, ela diz: “Era Modern Love, do Bowie”.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Um Dia Arrastado

Desde que o meu computador de trabalho resolveu entrar em horário de verão eu tenho tudo menos um relógio no computador, o que só contribui para o meu tédio em acreditar que é uma hora quando é outra.

Fiquei pensando: Se eu pudesse estar em algum lugar outro que não este onde estou agora, eu poderia estar em um texto? Essa idéia causa certa estranheza, mas não a mim que busco ser tão sincero para com as minhas palavras. Eu sinto isso, estou sentindo agora de forma muito real. Afinal, quem nunca sonhou estar em um quadro ou uma foto? Ou ainda em qualquer lugar que não fosse a sua própria realidade?

Esse talvez seja um dos aspectos do sonho que nos fazem seguir em frente: A esperança. Esperança de um dia fugir a uma realidade insípida, inerte, inodora.

Mas para mim a pergunta ainda permanece: Será que são mesmo as pessoas que contaminam com a sua amargura os meus sonhos ou sou apenas eu quem não se permite ir atrás dos próprios sonhos?

quinta-feira, outubro 26, 2006

Maybe I Have Found Something Blue

Eu estava lá, cercado por zilhões de letras, trilhões de palavras, milhões de frases e milhares de páginas em forma de livros. Talvez muito mais que isso, impossível contar. Ao cair da noite eu procurava algo perdido há realmente muito tempo, tanto tempo que eu não esperava mais encontrar, mas eu procurava. Aquela livraria é um lugar estranho para mim por diversos motivos, alguns muito bons, alguns ruins, mas sempre me pego voltando para lá. E lá estava eu, quando inesperadamente eu ouvi. Estava lá.

Não dá para explicar em palavras o que estava acontecendo, eu tive que sair de onde estava e ir direto para onde a música tocava. Entrei no café da livraria e não quis olhar diretamente para a banda naquele primeiro momento, bastava ouvir, era uma sensação tão boa que eu só precisava estar ali. Particularidades da música e da sensação que me provoca, sinto que de uma certa maneira isso me liga profundamente aos seus criadores. Procurei uma mesa e achei uma de canto, muito escondida e longe do palco, uma das únicas duas mesas que restavam vagas. Pedi um chá e rabisquei um pouco enquanto a lapiseira reclamava.

Foi um show curto, mas delicioso. Quando o som acabou eu paguei a conta com alguns trocados e me aproximei do palco. Ela era linda.

A beleza tem dessas coisas, uma pessoa não é só bela pela sua aparência, ela é bela pela sua alma, pela forma como trata as pessoas, como sorri quando responde com simplicidade a aquela pergunta óbvia que só você não havia percebido (quantas vezes será que ela já não fez isso?). Pois é, ela era linda, simpática como poucas vezes eu esperei que um artista o fosse.

Foi uma conversa breve, fiquei um pouco tímido (de verdade), acho que tive medo de ser meio clichê, ou de parecer um doido varrido. Foi uma conversa divertida, me fez sentir bem. Quando terminou senti que eu havia saído meio fugido (timidez novamente?). Arrependi-me por não ter agradecido.

Agora noite vai avançando e talvez ainda vá longe. A inspiração que ela me deu lentamente começou a forjar um novo quadro. Talvez o primeiro quadro que eu consiga terminar de pintar em um longo ano.


ps.: http://www.myspace.com/bluebellmusic

quarta-feira, outubro 25, 2006

Páginas Rasgadas

Quero rasgar as páginas em que está escrita a minha história, para com a tinta a sangrar de milhões de letras erradas talvez eu possa começar uma nova história. Quanto mais eu vivo mais me convenço de que o mundo como o entendemos é baseado nas visões, desejos, escolhas e valores que damos as coisas. É isto o que é o mundo, o que fazemos dele. E eu me pergunto, o que fiz do meu mundo? Um mundo de tubos e tubos de tintas que venceram há anos. Um mundo escrito em páginas em branco. Um mundo onde nada sobreviverá a história. Um mundo de penas quebradas, pessoas distantes, pincéis sem pêlos, violões sem cordas, livros empoeirados e frias paixões...

A noite, quando acordo antes da hora pergunto a mim mesmo o que acontecera ao homem simples e pobre que vivera no século XIV? Cuja existência esvaeceu, cuja história apodreceu para fertilizar a de outros que vieram depois, que as páginas de milhares de livros não contam, cuja memória se apagou. Pergunto sobre tudo o que o amanhã me reserva? Pergunto o que eu faço a mim com justificativas vazias, promessas inócuas e expectativas falsas.



Queen - Spread Your Wings
Words and music by John Deacon

Sammy was low
Just watching the show
Over and over again
Knew it was time
He'd made up his mind
To leave his dead life behind
His boss said to him
'Boy you'd better begin
To get those crazy notions right out of your head
Sammy who do you think that you are?
You should've been sweeping up the Emerald bar'

Spread your wings and fly away
Fly away far away
Spread your little wings and fly away
Fly away far away
Pull yourself together
'Cos you know you should do better
That's because you're a free man

He spends his evenings alone in his hotel room
Keeping his thoughts to himself he'd be leaving soon
Wishing he was miles and miles away
Nothing in this world nothing would make him stay

Since he was small
Had no luck at all
Nothing came easy to him
Now it was time
He'd made up his mind
'This could be my last chance'

His boss said to him 'now listen boy
You're always dreaming
You've got no real ambition you won't get very far
Sammy boy don't you know who you are?
Why can't you be happy at the Emerald bar?'

So honey
Spread your wings and fly away
Fly away far away
Spread your little wings and fly away
Fly away far away
Pull yourself together
'Cos you know you should do better
That's because you're a free man
Come on honey
FLY WITH ME!

segunda-feira, outubro 09, 2006

Pensamentos rápidos sobre o ego

Já me disseram que eu sou a única pessoa que lê essas coisas, mas ainda assim eu juro que fico com raiva quando entro em um site que não tem um link do tipo “o que é isso?”.

Tudo bem, dizer o óbvio é algo bobo, mas às vezes, algo que é óbvio para mim, não o é para você e vice-e-versa. Talvez seja por isso que muitos sites não tem uma seção desse tipo. É algo irritante quando alguém não entende sobre o que estamos falando e dói no ego pensar: “Como posso eu não estar sendo entendido?”. Na cabeça de quem fala parece sempre habitar um serzinho arrogante que não lida bem com essa idéia.

Mas fazer sites, escrever e tantas outras coisas que possuem uma expressão artística, que tentam comunicar algo, padecem do mesmo mal. Antes de haver a arte deve haver o artista, e antes do artista o ego. Isso não é exatamente uma coisa bonitinha porque não é para ser assim, é algo que é simplesmente e, talvez, se pudesse ser diferente, alguém já teria descoberto depois de tanto tempo de humanidade.

terça-feira, setembro 19, 2006

Peixeiro

Estava atrasado novamente e pensou enquanto acendia a outro cigarro.

“Por quanto tempo mais meu chefe agüentará isso?”

O trago iluminou o quarto e as cobertas das quais se quer havia saído ainda.

“Quanto tempo mais eu tenho até ser mandado embora? Todo mundo sabe que limpar peixes está mais para um trabalho insalubre que para qualquer outra coisa, mas ninguém se importa. Tem aquele cheiro, óbvio, que depois de dois dias impregna tudo, aquela sujeira que nunca mais sairá de você e têm os espinhos, ah sim, os espinhos... Eles te pegam de jeito quando os seus dedos já enrugaram de passar tanto tempo naquele caldo misto água, sangue, tripas, gelo e suor. Os espinhos são normalmente bem incômodos para as pessoas que os sentem, mas uma das vantagens de abandonar a medicação por falta de dinheiro é que o seu limiar a dor aumenta, que na verdade é como se nada disso importasse muito realmente.”

Apagou o cigarro no cinzeiro, mas não antes de acender outro. Odiava o gosto daquilo, mas que se dane, quem se importa. Colocou o novo cigarro no cinzeiro e saiu da cama. Caminhou pelo apartamento minúsculo procurando alguma peça de roupa limpa, juntou uma calça e uma camisa que cheiravam menos a peixe e as vestiu. Ignorou o café, a geladeira havia quebrado há uma semana e o leite já havia passado dessa para melhor há tempos. Comeu um saco de “Porquitos” que comprara no dia anterior e ao sair para o “trabalho”, batendo a porta com força derrubou da parede da sala o diploma da faculdade de direito espatifando a moldura em milhares de cacos que ainda ficariam ali por muitos dias.


***

Eu nunca entendi direito por que as pessoas continuam fazendo coisas que lhes fazem mal.

segunda-feira, setembro 18, 2006

quinta-feira, agosto 17, 2006

Você não sabe...

Quão distante eu quero estar;
quão distante estou daqui.
Quantas rosas quero dar;
quantas flores já colhi.
Quantas folhas já rasguei;
quantos livros eu já li.
Quantas vezes fiz chorar;
quantos nomes já esqueci.
Quantos rostos já pintei;
quantos versos já escrevi.
Quando a noite vai chegar;
quando a noite vai partir.
Quando a lua vai nascer;
quais estrelas vão surgir.
Quantas delas há no céu;
Elas vão sempre existir?
Ou quantos beijos dar-te-ei,
logo assim que eu te vir.


by Juca Lopes

quinta-feira, julho 27, 2006

Fim de Férias

As férias da faculdade estão acabando e com elas vão o meu animo que custou a voltar e não voltou muito. Ando muito chateado por faltar tempo para fazer absolutamente tudo. O último semestre foi péssimo para a faculdade e de modo geral péssimo para a minha vida, não sei o que houve, mas eu consegui passar seis meses totalmente ou quase totalmente distante de praticamente todas as minha atividades normais. Nem para escrever eu tenho conseguido tempo e quando tento escrever não sai nada que presta. Ando deprimido.

***

Era inverno, mas bem que poderia ser verão. As pessoas caminhavam na rua usando roupas leves e a únicas duas coisas que faziam ponderar a estação eram os agasalhos para o ar condicionado dos escritórios (e para a noite) e a falta de chuva. A última semana de férias passava tão depressa quanto as pessoas na rua em frente ao prédio.

Uma moça de blusa verde-água e cabelos pretos virou a esquina e passou apressada em meio à multidão. Um rapaz bem alto e magro vestindo uma calça social marrom e uma camisa bege claro vinha no mesmo sentido enxugando a testa com um lenço. Um senhor de idade passava devagar por ali, um cão vadio também, coisa rara nessas paragens. Centenas de rostos surgiam para desaparecerem instantes depois na entrada de um prédio, virando uma esquina ou no meio do povo na distância. Sempre rápido, muito rápido.

Meus olhos ardiam cansados e eu imaginava o que se passava por trás de cada rosto que via ou que rumo poderia tomar a vida se eu saudasse a qualquer um daqueles rostos. Quem sabe o que poderia conhecer, quem sabe o que poderia aprender, quem sabe que lugares visitaria. Num instante dois ou três pessoas ali poderiam ter se tornado amigas, destinos poderiam ser traçados. Coisas novas poderiam acontecer. Simplesmente virei o resto e voltei para dentro do prédio, para aquele lugar estéril chamado escritório.

terça-feira, julho 11, 2006

Lave-me

Isso é para me lembrar de escrever mais, um dia talvez eu chegue aqui e veja o blog coberto de pó e escrito Lave-me bem grande como nos carros sujos. Se eu demorar muito, talvez encontre no pó bem mais do que lave-me.
Enquanto eu não termino nenhum dos textos em que estou trabalhando resolvi publicar este link para passar o tempo. Dá para ficar bobo...

terça-feira, maio 30, 2006

Falta 5 para a prova! Falta 5 para a prova!

Nem sabia se era mesmo verdade, mas se ocupava em pensar que sim.
Falta 5 para a prova! Esperava inquieto, ruminando o tempo, tenso, porém calmo. Era aquela calma e tensão, velhas conhecidas, que precedem as fortes emoções. Sob o tiquetaquear do relógio, pensava que não passar naquela prova logo de primeira seria o mesmo que atestar sua inaptidão para a coisa. E pensava: “Que besteira, precisar de um papel para provar aptidão em uma coisa qualquer, como se papel provasse qualquer coisa”. Pensava, pensava, pensava... Milhares de coisas e pensamentos tortos lhe passavam pela cabeça, porque isso é só o que se pensa nessas horas. Tortuosidades, coisas que, se não são as únicas, são umas das poucas que nos ocupam.
5 minutos se passaram e mais 5 depois, carregando de 5 em 5 o ponteiro, mas em momento algum faltara 5 minutos ou menos para a dita cuja. Ele sabia disso perfeitamente, mas não queria acreditar, não havia sequer olhado para o relógio desde que adentrara a sala. Profilaxia mental, evitava pensar mais merda. Pelo menos achava que era disso que se tratava... Daquela avalanche de sensações vazias decorrentes de um dia-a-dia de cão, onde tudo possuía aquele brilho vítreo, aquela consistência de sonho e ausência de perspectiva. Um dia, talvez, ele acordaria e veria que tudo até ali não passava de um interlúdio para outra coisa. Talvez não.
Corremos tanto, o dia todo, todos os dias, atrás de tudo e de todos... No fim, não somos mais do que cães correndo atrás do próprio rabo. Uma verdadeira lástima, se é que existem outras coisas além de lástimas na vida de quem corre atrás do nada. Somos deprimentemente vazios. Até nisso.

quarta-feira, maio 17, 2006

Putzgrila #2

Olá pessoas,

Eu queria convidar vocês para o lançamento do fanzine Putzgrila #2. O fanzine foi produzido pelos alunos do um curso de Roteiro e Pesquisa de História em Quadrinhos, ministrado no ano passado pela Gibiteca Henfil no Centro Cultural São Paulo por 4 das maiores autoridades em arte seqüencial do país (o cartunista Jal, o editor Gualberto Costa, a Dra. Sonia Bibe Luyten, professora de História em Quadrinhos na ECA e o Prof. Dr. Valdomiro Vergueiro, coordenador do Núcleo de Pesquisas de História em Quadrinhos da ECA ). Está na segunda edição, que esperamos, supere o sucesso da primeira, premiada com o trofel Angelo Agostini, o oscar dos quadrinhos brasileiros e será lançado esta semana como parte dos eventos da Virada Cultural (os detalhes estão no final do texto).

E o que tudo isso tem a ver com vcs? Bom, talvez vcs gostem de quadrinhos (talvez não), talvez vcs já estejam planejando ir a virada cultural (talvez tenham mais o que fazer). Ou ainda talvez vcs queiram ler o meu debute no mundo da arte seqüencial, que não foi dos mais incríveis ou memoráveis, mas está lá em algum lugar no meio da revista. Se nenhum desses motivos for bom o bastante, vocês podem aproveitar para tirar uma com a minha cara depois, perguntar porque eu não durmo antes de escrever essas coisas (ou de desenhar essas coisas) ;) Enfim... é melhor que terminar esse texto por aqui antes que eu me arrependa:

Dia: 20 de maio de 2006, sábado
Workshop: Jam Session de Quadrinhos e Caricaturas e Lançamento do fanzine Putzgrila nº 2, da Gibiteca Henfil
Durante o lançamento do Fanzine Putzgrila nº 2 serão criadas histórias em
quadrinhos e feitas caricaturas, sob a coordenação da equipe de criação do
fanzine, com a participação do público e de artistas convidados. O material
produzido ficará exposto no mezanino da Gibiteca até 31/05.
Coordenação: Eduardo Mendes de Oliveira, Harriot Roxo Júnior, Renan Baliego
Heitzmann e Alberto Pessoa. Artistas Convidados: Eloar Guazzelli, Alexandre
Nagado, Rodolfo Zalla, Rafael Coutinho, Fábio Cobiaco, Sam Hart, Sandro
Castelli, Osvaldo Pavanelli.
Faixa etária: acima de 12 anos
Horário: das 18h às 21h
Local: Gibiteca Henfil.


Dia: 21 de maio de 2006, domingo
Workshop: Jam Session de Quadrinhos e Caricaturas
Serão criadas histórias em quadrinhos e feitas caricaturas, sob a
coordenação da equipe de criação do fanzine PutzGrila, com a participação do
público. O material produzido ficará exposto no mezanino da Gibiteca até
31/05.
Coordenação: Carlos Eduardo Silva Simões, Daniela Beleze Karasawa, Ingrid
Santos Marastoni e André Liberal.
Faixa etária: acima de 12 anos
Horário: das 10h às 13h
Local: Galeria Olido.


Ps.: Embora eu queira muito estar nos dois eventos, o mais provável é que eu só vá ao primeiro, culpa dos meus queridos professores de faculdade...

sexta-feira, maio 05, 2006

Vinte minutos para a meia-noite

O relógio marca exatamente 23:40 e contrariado decido que tenho apenas 10 minutos para escrever. Preciso estar na cama antes da meia-noite, estou mega gripado e depois de passar mal o dia inteiro não consegui se quer ir para a faculdade. Assim, 10 minutos é tudo que tenho, muito menos do que gostaria, muito mais do que posso me dar ao luxo agora. Perco alguns minutos esboçando um parágrafo com o tempo que gasto no meu dia para apagá-lo em seguida. Basta saber que passo em torno de 4 horas viajando de um lado ao outro da cidade e que durmo por volta de 6 horas por noite quando estou com sorte, o resto é trabalho, trabalho, trabalho, estudo, estudo, estudo. Uma qualidade de vida digna da primeira revolução industrial, lá no século XVIII. Mas não é por isso que vocês voltam aqui. A realidade está na vida, no dia-a-dia, nos jornais, no trânsito dessa cidade maldita. Vocês voltam aqui por causa dos sonhos, porque de pesadelos já basta a vida. Pois bem, já passaram 11 minutos e vocês não leram sobre nenhum sonho hoje. Infelizmente preciso mesmo dormir para acordar amanhã, antes das 7:00 em um estado minimamente razoável. Mas sobre os sonhos eu tenho duas coisas a dizer. A primeira é que andei pensando e depois de dois anos escrevendo só neste blog eu descobri sobre o que escrever aqui, sobre sonhos é óbvio. Eu sei, eu sei... estava na cara, mas ainda assim poiesis tem dessas coisas. Criar nem sempre é tão fácil quanto a gente pensa. A segunda, é que falando em sonhos, no último post eu prometi novidades... Pois bem, o nome da novidade é Xubaba Variedades. Lá, eu digo que Xubaba é uma coletânea de notícias divertidas, atualidades, música, cultura inútil, entretenimento e bizarrice em geral, mas a verdade é que eu ainda não sei bem para que serve... rs. Só espero descobrir em menos de dois anos...

Ps.: Visitem o Xubaba Variedades, tenho certeza de que irão gostar. Ainda é uma versão Beta, então, sintam-se a vontade para criticar e também para linkar em seus blogs.
Ps2.: E não se preocupem, não vou abandonar o Life is But a Dream, (principalmente agora que descobri para que serve) a idéia é que as atualizações sejam mais freqüentes. Fiquem ligados ;)
Ps3.: E para os curiosos, o post foi escrito em 27 minutos. Agora ainda falta revisar e publicar...

quarta-feira, abril 12, 2006

Idéias Vadias

Pareço um louco no meu trabalho, ou ao menos assim deve achar o povo que trabalha comigo. Apesar de ser redator, como o meu trabalho é focado em textos realmente pequenos (+/- 140 caracteres), eles devem estranhar o tanto que eu escrevo. Sei que parece inconsistente o que eu vou dizer, porque tenho atualizado muito pouco a este blog (aguardem surpresas), mas eu realmente escrevo muito e o tempo todo. Aliás, feito um louco.

Eu sou daqueles que tecla com vontade, não fico martelando o teclado, mas digito com gosto, como se eu estivesse matando a fome, e, de certo modo, estou mesmo. Sou uma pessoa de reações fortes... Eu também me empolgo quando ouço música, outro hábito que cultivo na empresa.

Ouvir música para mim é algo tão intenso, tão intimo que por vezes exige que eu me controle para não deixar me envolver demais. Às vezes vejo as pessoas ouvindo música e fico me perguntando se elas sentem como eu sinto sobre a música. Se elas sentem a música envolver, se sentem aquele gosto forte na boca e a eletricidade percorre o corpo, como com quem estamos intima, elétrica e gravitacionalmente ligados.

Não sei se vocês já sentiram isso (se não sentiram, tenham os meus mais sinceros e profundos lamentos), quando ao se aproximar da garota de lábios carmim (ou do cara de cabelos curtinhos) os olhos de ambos se caçam em uma dança desesperada, incansável, frenética. Olhos nos olhos o circuito se fecha. Faz notar-se a gravidade que sempre esteve ali, segurando com força e impossível de ignorar. Arrastando e aproximando devagar, sem parar, mais e mais. Você orbita e o cheiro dela invade... Tateia cada poro e envolve com intimidade. Assusta, provoca e faz os pelos da nuca ouriçar... Calafrios. O mundo escapa ao seu redor... Vertigem... Surge a eletricidade. O ar rarefaz e seca. Fagulhas estalam violentas. Você ofega... e é difícil resistir...
É assim que eu ouço música: devorando e sendo devorado, a música me invade a alma e a minha alma invade a música. Naquele momento perfeito somos um só.

Um dia desses algum político ainda há de proibir a intimidade com a aprovação das massas... Dirá: “A partir de hoje está banida a intimidade desta digníssima república, toques, escritos, musicas, falas, pensamentos e tudo o mais”. Militantes já abundam, remoendo seus pequenos rancores rançosos e alistando outros a cada dia. Sei lá, já nem me lembro do que eu falava ou onde queria chegar... é tarde, melhor desligar o som, deixar de lado meus devaneios e voltar para casa.

terça-feira, abril 04, 2006

Trair e Coçar

Esqueci de contar que no último dia 24 fui assistir “Trair e Coçar é só Começar” no Teatro Sérgio Cardoso. A peça, que figura entre as de maior sucesso no teatro nacional esteve em cartaz até o último dia 26, em curta temporada, comemorando 20 anos de estrada. Confesso que até esperava um pouco mais por causa da fama, mas foi uma excelente opção para alegrar a noite (somado a uma ceia rápida e agradável na cantina Ce Que Sabe, em frente ao teatro). A história traz situações bem cômicas. Além disso, uma das coisas que tornou a peça interessante ao longo do tempo é o roteiro visivelmente escrito nos anos 80. Celulares, computadores... Não. Nada disso. Os encontros e desencontros dos personagens surgem de conversas truncadas, muitas vezes ouvidas as escondidas e apimentadas pelas confusões de Olímpia, uma empregada atrapalhadíssima. Infelizmente já saiu de cartaz, mas se você gosta de teatro, fica aí a dica de uma peça imperdível que já entrou quatro vezes para o Guinness Book como a longa temporada ininterrupta do teatro nacional.

quinta-feira, março 23, 2006

Para começar o dia de bom humor

Olá pessoas,

Aqui vai um linkzinho para deixar todo mundo de bom humor: Star Wars with bunnies. Duvido que alguém não tenha assistido o original, mas não custa avisar: O conteúdo é spoiler.
Não deixando de citar da fonte, aqui vc encontra diversos outros filmes with bunnies: Angry Alien Productions.

Divirtam-se

sexta-feira, março 17, 2006

Somniculus

Ônibus. No ônibus. Movimento. O calor é degradante, a viagem lenta. Viagem, literalmente. O Shin’in, ex-imperador Sutoku, levanta-se e dá lugar a uma moça. Propicia-me a conversa mais agradável que eu já tive com estranhos dentro de um ônibus em toda a minha vida. Do lado de fora, os carneiros atravessam a paulista na faixa, pulando o canteiro central. Ela me pergunta o que estou lendo, eu mostro. Ela diz ser dona de uma empresa de artigos de bambu. Take era o nome, acho. Mais algumas palavras e me despeço, levanto, passo a catraca e percebo que não estou bem aonde eu pensava. Faltam três ou quatro pontos até o meu, mas fiquei com medo de perdê-lo, a conversa estava realmente boa. Desço do ônibus no meu ponto habitual e noto que o vento balançando a cerca viva de uma casa lembra as algas do fundo de um aquário, ou isso foi depois? Depois eu acho, antes eu atravessei a faixa da Faria Lima, antes ainda a da Cidade Jardim. Os carneiros estavam lá, eu me lembro. Pulavam alegremente e não pisavam nas rachaduras do chão de concreto. Distorções espaço-temporais, fotofobia. Meu estado é realmente deplorável. Paro em um café e peço um chá, odeio beber café, preciso de cafeína. Pago ao homem que me atendeu realmente confuso e quase esqueço o troco com medo de perder o meu próximo ônibus. Saio em tempo de vê-lo chegar a toda velocidade. Não, não era ele, agora estou confundindo cores também. Entro em outro ônibus evitando pisar nos degraus com cogumelos, bebo chá mate e acordo um pouco. Sento-me, mas ainda tenho a sensação de que os objetos são feitos de diversos planos sobrepostos, sem a profundidade que enxergamos. Um mundo composto por diversos planos que, quando viramos rapidamente a cabeça, conseguimos ver saírem de registro. Lentamente as coisas voltam ao normal, acho que acordei um pouco. A cabeça pesa, mas agora está tudo bem, noto que estou muito atrasado. Respiro fundo, me recomponho assistindo a um senhor de aparência circunspeta que trava uma guerra contra a sua pasta. E quando me viro para a moça ao meu lado uma carpa gigante me saúda do lado de fora do ônibus, flutuando em frente à cerca viva de algas do restaurante mais próximo, aonde os carneiros tomam um brunch. Preciso dormir.

sábado, março 04, 2006

Cada coisa que a gente encontra...

O computador é realmente uma arma... Quando você menos espera percebe que acabara de apontá-lo para o exato ponto médio entre os seus olhos e BANG! São 01:33 e você é uma criatura balbuciante em frente a uma tela com um brilho azulado. Geralmente é nessa hora que você acaba encontrando coisas que, por falta de memória produtiva acordada alocada em seu subconsciente, você não consegue interpretar. Então você se dirige ao seu blog com a esperança de que alguém o leia e publique uma resposta que explique por que você resolveu publicar esse link a essa hora:
Larry Poter

É lógico que o tiro pode sair pela culatra e ninguém comentar, mas é um modo bastante eficiente de tentar não pensar e ir dormir logo de uma vez...

Ps.: Feliz aniversário Dríade! Tão logo eu reinicie o meu cérebro tento ligar novamente para te dar parabéns de forma minimamente aceitável. ;)

sábado, fevereiro 25, 2006

The Mechanical Contrivium: Juca

Ten Top Trivia Tips about Juca!

  1. The difference between Juca and a village is that Juca does not have a church.
  2. 68 percent of all UFO sightings are by Juca.
  3. Olympic badminton rules say that Juca must have exactly fourteen feathers.
  4. Juca became extinct in England in 1486.
  5. Juca can be seen from space.
  6. Pound for pound, hamburgers cost more than Juca.
  7. Originally, Juca could not fly.
  8. If you lick Juca ten times, you will consume one calorie.
  9. Neil Armstrong first stepped on Juca with his left foot.
  10. A lump of Juca the size of a matchbox can be flattened into a sheet the size of a tennis court.
I am interested in - do tell me about

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Um 2006 menos chato?

Essa é para alegrar o carnaval crianças, divirtam-se lendo, bom feriado, muito rock e muita breja!*


2006, o ano candidato ao título de mais chato da última década, parece ter sofrido um duro golpe em seu status com a divulgação de que a Copa do Mundo de Futebol possa ser cancelada devido ao aumento do número de casos da gripe aviária na Europa. Assim, a expectativa de que o ano de 2006 venha a se tornar um ano inócuo ou minimamente interessante aumentara cerca de 50%. Restam agora apenas as eleições como segundo pólo potencialmente entediante e o anseio por dias melhores. Até lá evitem uma infecção cerebral aguda mantendo seus televisores desligados ou a uma distância segura dos canais de esporte e TV aberta.
Antecipando qualquer probabilidade de que o governo alemão arrisque suas chances contra a grande possibilidade de iniciar uma pandemia realizando a copa, grupos intelectuais têm se mobilizado para criar um fundo com o intuito de presentear os candidatos à presidência com viagens para a copa e desse modo salvar pelo menos o segundo semestre.

Mais informações em:

Josias de Souza nos Bastidores do Poder
“uma ameaça ronda a copa”
http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2006-02-19_2006-02-25.html


Folha Online
“Alemanha já tem 103 aves mortas por gripe aviária”
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u92822.shtml



* Ou lasse caso você lendo seja Hare... ;)

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Comia, comia e comia

Tive um sonho. Sonhei que eu repentinamente começava a viver muito, muito infeliz. A infelicidade era tanta que eu não era capaz de sentir prazer com nada. Então, em uma tentativa desesperada de obter alguma felicidade, eu começava a comer sem parar. Tudo aquilo que eu fazia, fazia comendo: se eu estava ao computador, comia; se eu andava, comia; se eu dormia, estava abraçado a um pacote de bolachas ou qualquer outra coisa comestível que se espalhava pela cama a minha volta. E a cada vez que eu passava por um espelho via meu reflexo cada vez mais gordo.
Dado momento, cada vez mais espantado ao ser surpreendido pelo meu reflexo parei e continuei observar um espelho. E para a minha surpresa comecei a inchar e inchar, engordando mais e mais. Minhas roupas rasgaram diante de meus olhos numa fútil tentativa de conter o meu imenso corpanzil. Ainda assim eu continuava a assistir, incapaz de desviar os meus olhos, até o momento em que eu explodi.
Suando frio eu acordei espantado olhando ao meu redor e, ao me deparar com a minha imagem refletida em um espelho vi que nada havia acontecido, porém uma pergunta não me fugia à mente: Se não podemos bebê-la, comê-la, metê-la ou comprá-la, resta apenas esperar que a felicidade surja?

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Ossos do ofício

Quem dera, nós pessoas inteligentes, fossemos menos complicadas e excêntricas. Porque a inteligência que nos é tão cara, infelizmente, nos torna aos olhos dos outros pessoas pedantes, frias e incompreensíveis. Quem corteja a inteligência com intimidade raramente se afasta dela para além do ponto onde distinguimos suas sardas, pupilas e cílios, linha que pessoas que não nutrem essa paixão não se arriscam a cruzar. Falo de paixão verdadeira, aquela sem a qual a vida de uns tantos não seria a mesma. Uma vida sem um livro qualquer para ler entre uma estação e outra do metrô (que diria então de um Graciliano, um Tokien ou um Shopenhauer). Um xadrez, um go ou uma outra atividade lúdica para excitar uma tarde entre amigos. Uma boa Hq ou um bom filme independente para aquecer uma noite. A inteligência é um critério gradual, ela não permite que se divida as pessoas entre duas categorias radicalmente opostas: quem a tem ou quem não a tem. Mas se é seu desejo dividir basta um olhar para saber a quem ela fascina ou a quem não. O que sobra é um abismo criado pelo paradigma social, um abismo que algumas horas é tão grande que faz de nós sábios, solitários.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Atum é assim, você só comenta quando pesca um dos grandes e não quer que ninguém fique criticando o tamanho do seu.

Quero quebrar este silêncio, dizia eu a mim mesmo, contrariado pela falta de idéias como quem reclama por comprar uma lata de atum sem ter um abridor de latas. Coisas de louco: latas vendidas sem o abridor e pessoas que conversam sozinhas, mas embora eu converse sozinho, isso já é outra história. Neste exato momento a falta de idéias ou a falta de intimidade comigo mesmo talvez sejam o ponto.

Voltando a vaca fria, quer dizer, ao atum neste caso, isso me faz lembrar da história dos tiozinhos famintos lá no agreste que ganharam comida através de uma campanha de caridade e receberam várias coisas legais, como latas de atum, ervilha e óleo para cozinhar, porém havia um pequeno detalhe, eles não tinham com o que abri-las. Não gosto nem de imaginar o pobre povo faminto olhando a foto do peixe a devolver o olhar em esgar e as bocas todas salivando.

Pensar tem, de fato, muito a ver com atum, assim como as atividades que cercam o atum, quer dizer, o pensar em geral. Pensar é como cozinhar Atum, você põe o atum na panela, deixa ele lá rolando no vapor, joga um tempero ou outro para acentuar o gosto e mexe de quando em vez para não queimar embaixo. Escrever é como tirar o atum da lata, se você usa um abridor fica fácil, de outro modo você corre o risco de o atum não sair muito aproveitável. Revisar o texto de alguém é como limpar o atum, não é difícil e se parece um pouco com escrever. Tem quem goste mais e tem quem não goste, indiferentemente, a maioria dos autores age como se você estivesse limpando o peixe deles com um abridor de latas quando você sugere uma leve mudança. Atum é assim, você só comenta quando pesca um dos grandes e não quer que ninguém fique criticando o tamanho do seu.

Ando com uma sensação estranha, uma espécie de frio na barriga ou coisa do gênero, como se eu estivesse ouvindo alguns barulhos estranhos, assustadores e pouco reconhecíveis... 13:31, me esqueci de almoçar, será que eu encontro uma lata de atum por aí?

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Desculpem-me

Após passar uma semana revisando textos de livros didáticos em uma escola infantil venho oficialmente por meio dessa pedir perdão a todas as pessoas que forma de alguma forma ou em algum momento foram responsáveis por mim (e também a algumas das que não foram) ou que de algum modo passaram pela tragédia de ter que me aturar quando pivete. E informo também que agora, ainda mais do que antes, não é de minha intenção perpetrar a vilania de estender o legado de nossa espécie e conseqüentemente submeter alguém à barbárie de ter que cuidar de uma criança. E tenho dito.

Ps.: Aproveito também o embalo para registrar o meu repúdio aos líderes mundiais pelo fato de que o Pacto de Versalles não pronuncie palavra alguma sobre um ato tão reprovável.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Frase Red Dragon da Semana

"Já fui bom nisso..."

Se é que ainda existem dragões...
E o mais engraçado é que essa frase pode ser irônicamente aplicada a qualquer coisa.

sexta-feira, novembro 18, 2005

sexta-feira, novembro 04, 2005

Liberta meu pensamento

Para variar um pouco o nada, esta semana eu tenho a impressão de ter acordado de um torpor de anos, não sei o que me deu e nem se já acabou ou se está por aí ainda. Pode ser apenas uma daquelas piscadas que damos durante a noite enquanto dormimos e das quais muito provavelmente ao acordar não nos recordemos. Mas está aqui agora, um lapso de consciência. Um lapso talvez muito produtivo até (assim espero)... Para variar surgiu do nada, mas acho que não foi bem do nada, foi do vazio, daquela dissonância em mim mesmo que eu odeio, aquela que faz eu me sentir transparente, fútil, inútil. Não sei, acho que ontem por algum instante lendo, ainda que apressadamente, uma HQ que nem valia à pena, perdido na tarde enrolado em um edredom sobre o sofá da sala de alguém de quem gosto muito e que agora sinto remorso de ter atrapalhado, ontem, consegui encontrar um pouco da paz que me foi há muito roubada. Não por nada, apenas porque foi um momento de privacidade da minha alma, um momento aonde me senti inócuo, um momento que pôde me mostrar a ausência e determinar a diferença entre a ânsia de ter que fazer tudo e a meditação inconsciente. É isso, um texto provavelmente confuso e mais do que provavelmente vazio de significado para a maioria das pessoas, perdido entre toneladas de terabites de páginas e arquivos, mas que para mim, ao menos agora, parece significar muito. Como já dizia aquele sábio pintor, a arte não está em saber aonde colocar a tinta na tela, mas em saber aonde não colocá-la. Agora torçamos para que este lapso de consciência, que é na verdade um lapso de inconsciência, porque rompeu a não-existência que a minha mente anda cruzando, possa rasgar o véu diáfano da não-existência que enveredou sobre o meu ser ultimamente fazendo de mim apenas uma casca.

terça-feira, novembro 01, 2005

Redshift*

O sonhar está lentamente voltando a ser uma parte lúgubre do inconsciente de onde saiu... e desta vez talvez volte, talvez por um longo tempo, talvez para sempre. Estou cansando de escrever no vento, estou cansado... Foram três anos escrevendo aqui e nas sombras da canção, o que por vezes me fez feliz e por vezes me fez triste, mas nunca me fez tão solitário quanto tem feito agora. Escrever, antes, era um sonho, depois tornou-se uma brincadeira, um elogio a um modo de pensar e a todas as pessoas que partilhavam dos meus pensamentos. Hoje talvez seja a placa de “bem-vindo” encontrada à porta de algum gueto ou a placa de “aberta a temporada de caça” sobre a toca da raposa. Amanhã talvez seja um pesadelo. A colméia, chamada humanidade, não admite sujeitos diferentes e diferente eu sou, intelectuais estão mais uma vez sendo vistos com maus olhos e logo veremos a fogueira arder. Que seja... A verdade? A verdade talvez seja que o meu Ego não suporta os golpes dos últimos dias, maldita mania de querer ser um herói que só me levou a descobrir que o Ego é um ser perigoso. Só sei que nada sei. E que imbecil pretenso eu fui querendo saber o mundo. Talvez seja a hora de ser um pouco mais inteligente e parar enquanto ainda há tempo.


* Redshift - http://www.on.br/glossario/alfabeto/d/d.html#deslocamentoparaovermelho