segunda-feira, março 23, 2009

Fast Forward

A realidade ainda brinca com meus sentidos. Durmo e o sono continua a me perseguir. O tempo passa. Eu corro, corro, corro e a realidade foge ao meu controle, a minha percepção. Tomo café. Uma xícara. Duas. O amargor toma conta e o sono prevalece. Nunca gostei de café, mas continuo tentando. Passa um dia, dois dias e quando acordo novamente é sexta feira 15:42. A semana foi-se e o fim de semana também. O que eu fiz? Aonde estive? O que aconteceu não sei.

Tento entender e tenho em mente duas hipóteses: Passei esse tempo todo tão cansado que nem me lembro de nada, como quando fico com sono e perco totalmente a noção do que acontece. A outra hipótese é de que o tempo passa realmente rápido quando estamos nos divertindo que eu nem vi. E, de fato, não tenho do que reclamar, meu trabalho novo é ótimo, as aulas da faculdade estão promissoras esse semestre, meu namoro vai bem e eu até consegui jogar um pouco de video-game na semana passada... mas a sensação ao final de cada dia é péssima.

Então o que? Algum sonambulismo bizarro que me faz lembra dos momentos em que estou acordado da mesma forma que dos sonhos que tenho quando durmo? Será isso o que me faz acordar diversas vezes ao longo da noite com calores diversos, dores nas costas e me sentindo atado às roupas como se fossem elas grilhões? Será um alcoolismo ou uma ressaca da realidade, um cansaço irremediável?

Tento não pensar no mal mais óbvio que sempre me leva aos mesmos becos sem saída com a esperança de que se eu o ignorar ele fará o mesmo por mim.

2 comentários:

  1. Ah! Que delícia! Seus textos são tão gostosos quanto pistaches iranianos, que eu só como de vez em quando e são meus prediletos!
    Eu também tenho me sentido assim. E acredito que não há Rivotril, Diazepam ou Prozac que resolvam. Mas duas coisas me tranquilizam -tranquilizam fica tão feio sem trema-: a primeira é que essas são as épocas da vida que são lembradas com mais carinho no futuro- vide nosso saudosismo melancólico a 2004, lembra?- e a outra é que pela primeira vez passo(amos?) por isso sabendo que podemos [realmente] contar com alguém.

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  2. Eu ainda sou muito a favor de psicanalise. Algum dia, provavelmente quando nao precisar mais, vou conseguir ter esse habito. Felizes voces que tem uns aos outros. (detesto nao usar acentuacao, especialmente com duas pessoas tao Letras)

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