terça-feira, julho 27, 2004

Desesperadamente sozinho

Ando pela rua e observo as pessoas passando. Observo as pombas, os pardais, os cães...
Entro no metrô para me espremer entre estranhos e, em meio deles, ser apenas mais um desconhecido. Os vagões vão sempre cheios, mas continuo sempre sozinho, sonhando com um momento onde todos os trens estarão vazios para que eu esteja realmente só, para que não deseje bater em alguém porque foi estúpido comigo ou com outra pessoa. Chego em casa, as luzes meio acesas e meio apagadas. O pior tipo de solidão é aquele que começa no fundo da garganta, quando parece faltar ar para completar as sentenças, quando os números na agenda são apenas números e você não os disca por sentir-se incapaz de dizer algo que valha a pena; ou por medo de encontrar com o silêncio constrangedor ou por medo de se perder enquanto fala. Medo da rejeição. Outro tipo de solidão vem dos olhos de estranhos. Alguém para do seu lado e no encontro dos olhares faísca uma pequena chama, chama esta que ilumina por instantes a escuridão dentro do ser. Em um mísero segundo, uma mísera esperança... De preencher todos os vãos, de aquecer o frio, de fechar a porta ao vento que varre a alma carregando folhas secas que arranham. Medo, medo, medo... Ando cansado de mim mesmo.

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